domingo, 24 de maio de 2009

How to be a Man?



É uma das mais fabulosas capas de sempre da Esquire. Com George Clooney... mas também Barack Obama e Justin Timberlake. Não se vêem nesta imagem mas, através de cortantes na capa, os rostos dos «senhores que se seguem» vão aparecendo, permitindo-nos construir 27 combinações (e capas) diferentes (podem perceber melhor vendo este vídeo).
O tema central desta revista intrigou-me: «How to be a Man». Comecei por ler este artigo, à procura de pistas: What is a Man? E, se não concordo com todas as respostas, sei bem que esta é a mais pura das verdades:
A man knows how to lose an afternoon. Drinking, playing Grand Theft Auto, driving aimlessly, shooting pool. He knows how to lose a month, also.
O género de conversa...
- «O que vais fazer hoje?»
- «Nada»
... é mais comum no reino dos homens. As mulheres têm mais dificuldade. O que não é necessariamente bom.
Num número para homens, sobre homens, há muito mais a explorar (também por mulheres curiosas...) Entrevistas, testes, artigos de opinião com o típico sentido de humor a que a revista já habitou os seus leitores.
Gostei especialmente de um artigo ao estilo vox-populi, perguntando a 41 «tipos normais» o que aprenderam na vida. Eu, que hoje agradeço especialmente o amor incondicional dos meus amigos, concordo com o Arnold, de Filadélfia:
It's people that make us crazy, so it's gotta be people that make us well.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

falhar... e crescer


Um guia para sobreviver ao falhanço? Eis o tema de capa da Psychology Today que acaba de chegar às bancas. Comecei a ler, renitente, distanciada, quase desinteressada. No fundo, no fundo, quem ainda tenha uma réstia de auto-estima dificilmente considera, assim à primeira vista, que este assunto possa ter alguma coisa a ver connosco... naaahh...
«Falhar» é uma palavra muito forte. E traz, por arrasto, uma série de amigas de que também não gostamos nada. Como a vergonha. Ou a culpa.
Bom, como estão a ler este post, já devem ter percebido que «o tema», afinal, é muuuuito interessante. Ao segundo parágrafo já estava conquistada. Porque o texto fala das pequenas e grandes derrotas que todos (todos...) acabamos por sofrer, mais dia menos dia. Dificuldades financeiras, problemas no trabalho, desilusões amorosas. E explora essa extraordinária teoria de que os falhanços (com ou sem culpa...) são, na verdade, oportunidades para crescermos - e, quem sabe, catapultar a nossa vida para um nível muito melhor. Foi o que aconteceu ao poeta Philip Schultz, citado no início do artigo, que, até aos 11 anos, nem sequer sabia escrever...
Não é novidade, eu sei. Mas a forma como é apresentada fez-me sorrir, fez-me sentir bem. Fez-me ficar como a miúda serenamente confiante que enche a capa da revista: com a minha armadura contra as agruras da vida um pouco mais fortalecida.

terça-feira, 19 de maio de 2009

«15 melhores séries de televisão de sempre»


O Carlos Santos lançou-me o desafio... e como fica mal cortar a corrente de amizade que pretende unir a blogosfera nacional, aqui fica a minha lista das «15 melhores séries de televisão de sempre»:

1. West Wing (Os Homens do Presidente). Absolutamente brilhante. E tão real... Como este diálogo entre Leo e Santos, perante o volumoso programa de governo que o futuro Presidente queria aprovar:

Leo: Ok. Let’s start by refraining the question. Forget about a four year term, the presidency is 18 months. That’s your window. After that, there’s midterms. No one on the Hill has time to do business with you, they’re too busy getting re-elected
Santos: Huh.
Leo: Then suddenly, you’re running again.
Santos: So I’m basically throwing everything out but my first five pages.
Leo: In the garbage. Realistically, one page. But, we can do this in phases.

2. Seinfeld. Tenho a colecção completa em dvd, já vi todos os episódios mais de uma dúzia de vezes e, ainda assim, se estou a fazer zapping e tropeço num episódio na Sic-Radical, fico agarrada até ao fim! Adoro o Kramer... e o George. Entre os dois, o meu coração balança :)

3. Sopranos. Do I need to say more?
4. ER (Serviço de Urgência). Acabou agora nos EUA, depois de 15 anos no ar. Daqui a uns 3 meses vai acabar por cá (passa no AXN, às 6as, às 21h30) e já sei que vou chorar que nem uma Madalena.

5. Band of Brothers. Também está na colecção de dvd cá de casa. Para mim, um dos melhores trabalhos de sempre de Spielberg.
6. Alô, Alô... Listen very carefully, I shall say this only once.

7. Fawlty Towers. Com o maravilhoso John Cleese. Não seria preciso mais.
8. Sete Palmos de Terra. Um dos melhores argumentos dos últimos anos, mérito do senhor Alan Ball. E que personagens... Como esquecer aquela mãe?
9. Sex and the City. Se calhar é uma coisa de miúdas que gostam de Nova Iorque e de sapatos, não dá para explicar :)

10. X-Files. Noutro dia tentei rever um episódio e... naaah. Mas foi das séries que mais me marcaram. Fica a grata memória das noites em que trocava tudo para ficar à espera do Mulder...

11. Twin Peaks. Laura Palmer, by David Lynch. Um marco.

12. Yes, Minister. Inesquecível, Sir Humphrey Appleby.

13. Irmãos e Irmãs. Esta é nova. Só vai na série 3 mas já me conquistou. A culpa é da Sally Field. Chamem-me lamechas, não me importo... Os Walker já fazem parte da minha família.

14. Anatomia de Grey. Porque me faz rir e chorar. Porque gosto da muito-pouco-ou-nada-perfeita relação de Meredith com o seu McDreamy.

15. Mentes Criminosas. Bom... esta vem na sequência de séries como CSI (Las Vegas, please) e afins. Agora embala-me no sofá, quase todos os dias, antes de dormir. Afeiçoei-me ao louco Dr. Reid, que querem que faça?


E agora... Cenas do próximo episódio: a corrente não pode ser quebrada. Não aqui, pelo menos. Por isso Patrícia, Miguel, Carlos, Hugo e Alexandre, partilhem lá com a malta as vossas escolhas :)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

felicidade

Haverá uma fórmula para ser feliz? A pergunta, tantas vezes repetida, volta a ser colocada pela Atlantic na edição de Junho.
Este artigo, contudo, é muito diferente de todos os que já li sobre o assunto. O jornalista Joshua Wolf Shenk teve acesso exclusivo aos arquivos de George Vaillant, o mítico investigador de Harvard que liderou o mais prolongado estudo sobre o tema alguma vez realizado. Ao longo de 72 anos, uma equipa de cientistas seguiu as vidas de 268 homens: acompanharam as suas carreiras, casamentos e divórcios, as missões em várias guerras, as experiências como pais e avós... todos os altos e baixos das suas vidas, da juventude à velhice.
Vaillant foi crucial no desenvolvimento deste projecto, como explica o jornalista, que também traça o seu perfil. E o que procurava este homem, de forma tão obsessiva? A forma como respondemos à adversidade. É aí, acredita, que reside a chave da nossa felicidade:


«His central question is not how much or how little trouble these men met, but rather precisely how—and to what effect—they responded to that trouble. His main interpretive lens has been the psychoanalytic metaphor of “adaptations,” or unconscious responses to pain, conflict, or uncertainty. Formalized by Anna Freud on the basis of her father’s work, adaptations (also called “defense mechanisms”) are unconscious thoughts and behaviors that you could say either shape or distort—depending on whether you approve or disapprove—a person’s reality.
Vaillant explains defenses as the mental equivalent of a basic biological process. When we cut ourselves, for example, our blood clots—a swift and involuntary response that maintains homeostasis. Similarly, when we encounter a challenge large or small—a mother’s death or a broken shoelace—our defenses float us through the emotional swamp. And just as clotting can save us from bleeding to death—or plug a coronary artery and lead to a heart attack—defenses can spell our redemption or ruin.»

sexta-feira, 15 de maio de 2009

À conversa com Paul Auster



Paul Auster vai lançar um novo romance no Outono (Invisible) e a revista Granta publica um excerto na sua edição de Verão. O texto não está acessível online (em Portugal, a Granta pode ser comprada na Fnac) mas o site oferece-nos uma conversa com o escritor, na intimidade da sua casa, com vista para Prospect Park.
Nesta entrevista com o editor norte-americano da revista, Auster fala um pouco dos seus métodos de trabalho, explica que ainda escreve primeiro à mão e que, depois, datilografa tudo numa máquina de escrever... E que escreve e reescreve, num apartamento despojado que alugou no bairro de Brooklyn, até atingir «a claridade», que busca incessantemente, e «a simplicidade», que nos permite esquecer a importância das palavras - para entrarmos, sem reticências, na história que nos quer contar.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Junior e Senior


Há momentos assim. Em que damos graças por uma pausa. Em que lemos apenas por prazer. Hoje dei graças por esta pequena ficção de Salman Rushdie, In the South, na última edição da New Yorker. Por momentos desliguei. Não havia pressões no caso Freeport, rusgas na Bela Vista, trafulhices no BPP. Por instantes estive apenas ali, sentada ao lado de dois homens de 81 anos, amigos de sempre, nascidos com 17 dias de diferença. A ouvir Junior e Senior, no fim da caminhada da vida, à conversa.
“You look terrible,” Junior told Senior, as he did every morning. “You look like a man who is only waiting to die.” Senior — nodding gravely, and also speaking in accordance with their private tradition — responded, “That is better than looking, as you do, like a man who is still waiting to live.”

quarta-feira, 13 de maio de 2009

frase da semana

«In a world where more and more borders are being opened up - to trade, to travel, to movement of peoples, to cultural exchanges - it is tragic to see walls still being erected.»

Papa Bento XVI, em Belém (Cisjordânia), discursando «à sombra» do muro de separação construído por Israel

Jerusalém


Chamaram-lhe «Operação Batina Branca». Mais de 80 mil polícias, soldados e agentes secretos nas ruas. Em Israel, claro. Bento XVI está na Terra Santa. Hoje tornou-se no primeiro Papa a visitar a Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar mais sagrado para o Islão. Depois visitou o Muro das Lamentações, onde deixou um bilhetinho com um desejo, como manda a tradição judaica:

«haja paz dentro das tuas muralhas, tranquilidade nos teus palácios»

A imprensa israelita tem relegado para segundo plano os seus discursos, apelando ao entendimento entre cristãos, judeus e muçulmanos, explorando mais o «tom frio» com que se referiu ao Holocausto ou recordando o seu envolvimento, enquanto jovem, nos movimentos de apoio a Hitler...
Mas o Jerusalem Post publicou um artigo muito interessante sobre as comunidades cristãs que restam em Jerusalém. Constituíam 20% da população em 1948, hoje sobram pouco mais de 14 mil crentes (menos de 2%). Como conta um professor, sentem-se discriminados:

"In a way, the situation of the Christians in Israel is comparable to the situation experienced by the Jews in the Diaspora, when in any time of insecurity, communities would leave and search for a better future elsewhere."

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O humor de Obama

O jantar de Barack Obama com os jornalistas acreditados na Casa Branca decorreu no sábado à noite. Se não viram... não percam. O seu discurso parece um espectáculo de stand up comedy. É verdade que Bush também fazia rir a plateia. Mas com «piadas» muito diferentes... Enjoy!

sábado, 9 de maio de 2009

Lost and found


Há dias assim. Especiais. Hoje deixei a minha escrita de lado e fui ouvir os mestres. Inscrevi-me num seminário de jornalismo literário sobretudo pela vontade de ouvir Mark Kramer, jornalista e professor na universidade de Harvard. Mas foi Sukemu Mehta que me enfeitiçou. Fiquei duas horas (que me pareceram dez minutos) a ouvi-lo contar histórias. Ou melhor: a sua história, que é também a história do livro Maximum City: Bombay Lost and Found.

Sukemu nasceu em Calcutá, cresceu em Bombaim e aos 14 anos emigrou com a família para Nova Iorque. Na viragem do milénio decidiu regressar à Índia, à cidade da sua infância e adolescência, que não visitava desde 1977. Queria perceber se poderia voltar a viver em Bombaim. Conseguiu durante dois anos e meio. Dessa experiência resultou este livro, uma espécie de psicanálise da cidade que, a cada ano que passa, ganha mais um milhão de habitantes.

Sukemu não se limitou a escrever sobre a sua vida nesta mega-cidade: entrevistou os líderes dos dois gangues que dominam o território (um hindu, outro muçulmano), assassinos a soldo e polícias que, achando-se honestos, torturavam e executavam criminosos.... e, claro está, estrelas de Bollywood.

Os direitos deste livro-reportagem, vencedor do prémio «Primeira Obra» do Guardian e finalista dos Prémios Pulitzer, acabam de ser comprados por Danny Boyle (Slumdog Millionaire), para adaptação ao cinema. Deixo-vos um excerto:


«There will soon be more people living in the city of Bombay than on the continent of Australia. Urbs Prima in Indis reads the plaque outside the Gateway of India. It is also the Urbs Prima in Mundis, at least in one area, the first test of the vitality of a city: the number of people living in it. With 19 million people, Bombay is the biggest city on the planet of a race of city dwellers. Bombay is the future of urban civilization on the planet. God help us.
(...)
Each person’s life is dominated by a central event, which shapes and distorts everything that comes after it and, in retrospect, everything that came before. For me, it was going to live in America at the age of fourteen. It’s a difficult age at which to change countries. You haven’t quite finished growing up where you were and you’re never well in your skin in the one you’re moving to. I had absolutely no idea about the country America. (...) I traveled, in twenty-four hours, between childhood and adulthood, between innocence and knowledge, between predestination and chaos.
Everything that has happened since, every minute and monstrous act—the way I use a fork, the way I make love, my choice of a profession and a wife—has been shaped by that central event, that fulcrum of time.»

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Nas ruas de Beirute

Estive em Beirute pela primeira vez há quase três anos, durante a guerra entre o Hezbollah e Israel. Apesar das circunstâncias, apaixonei-me pela cidade. E prometi a mim própria que regressaria em breve. Ainda não consegui cumprir a promessa mas hoje andei, por momentos, naquelas praças debruadas com esplanadas, onde os homens passam as tardes a fumar nargilah. Fui pela mão de Christopher Hitchens, que publica um relato da sua última (e atribulada) visita a Beirute na Vanity Fair deste mês.
Em The Swastika and the Cedar cabem todas as emoções contraditórias de um ocidental recém-chegado ao Médio Oriente: o deslumbramento pela beleza arquitectónica, pela riqueza cultural, pela diversidade de credos e opiniões, pela firmeza das convicções; mas também o receio pela violência das divergências, pela raiva à flor da pele, pela sede de vingança que suga cada pedaço de normalidade conquistada.
Hitchens passeava no centro de Beirute quando encontrou um cartaz do SSNP - o partido socialista nacionalista sírio, que tem como símbolo uma suástica. E não conseguiu passar ao lado. Agarrou numa caneta e começou a escrever uma mensagem de repúdio no cartaz. Mas logo foi agarrado por um militante e acabou por ser espancado...
A partir deste episódio explica-se também a influência da Síria no Líbano e a volatibilidade da paz nas ruas de Beirute: num minuto, Hitchens passou de um turista feliz, a passear na baixa da cidade, a um inimigo em fuga, ensopado em sangue. E deixou o país com a sensação de que os «ensaios gerais» estão quase a terminar - os «ensaios» para a guerra entre Israel, Síria e Irão.

domingo, 3 de maio de 2009

Alejandro, o grande

(Foto: Teresa Isasi/El Pais)
Deu-nos apenas seis filmes mas já conquistou o seu lugar na lista dos melhores realizadores dos nossos tempos. Depois de Os Outros (2001) e de Mar Adentro (2004), Alejandro Amenábar está prestes a estrear Ágora, um épico centrado no Egipto do século IV, que nos contará a história de Hypatia de Alexandria, uma filósofa grega que contribuiu grandemente para o desenvolvimento das Matemáticas e da Astronomia (protagonizada por Rachel Weisz).
Hoje, na revista do El Pais, Juan José Millás traça o perfil do realizador espanhol e conta-nos, por exemplo, que apesar do sucesso e do Óscar de Hollywood, Amenábar continua a partilhar um apartamento com amigos da faculdade, a encomendar pizzas para o jantar.
O texto, de um dos grandes mestres da escrita espanhola, parte de uma conversa à mesa de um restaurante de Madrid, onde falam sobre a existência da vida extraterrestre, passa pelos bastidores da rodagem do último filme, projecta partes do filme da sua vida e acaba com o entrevistador rendido à personalidade do entrevistado. Eu cheguei ao último parágrafo com pena de não ter mais páginas para ler...
P.S. O Mundo, de Juan José Millás, foi recentemente publicado em Portugal (Ed. Planeta). Não o perca, numa feira do livro perto de si...

sábado, 2 de maio de 2009

A mulher que descobriu a gripe suína

A revista Science entrevistou ontem, em exclusivo, a microbiologista Celia Alpuche, a directora do laboratório no México que detectou o primeiro caso de gripe suína (agora Gripe A, para não incomodar suinicultores, judeus e muçulmanos...). A cientista explica como as autoridades ficaram alarmadas com o aumento dos casos de gripe e pneumonia no país e as dificuldades que sentiram para realizar análises de despite fidedignas. A confirmação de que existia um novo subtipo de gripe só foi possível com a colaboração de um laboratório do Canadá.
A origem deste novo vírus não é ainda clara para a microbiologista mexicana. As autoridades têm falado na hipótese do epicentro ter sido em suiniculturas da região de Perote mas o primeiro caso detectado, a 1 de Abril, é de um menino de La Gloria, a 80 quilómetros dessa zona.
Alpuche está a trabalhar a um ritmo alucinante há mais de duas semanas, desde que recebeu do Canadá a confirmação da desgraça: «Durmo duas horas por dia, às vezes faço uma sesta de meia-hora. E há os lattes. Cafés duplos. Expresso.»

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ainda sobre os porcos...

Não resisto a chamar-vos a atenção para esta crónica do Miguel Carvalho, na Visão:

«É curioso que a gripe de que se fala e que ameaça tornar-se pandémica surja num momento em que a humanidade vive a ressaca de um certo triunfo dos porcos. Gente que fez das ilusões dos seus semelhantes um chiqueiro global, com as consequências que estão à vista.
(...) Tal como o burro da fábula de Orwell, alguns sempre souberam que, cedo ou tarde, tudo seria desvirtuado ou corrompido. E a fuçanguice de uns, levou a outros à degola. Na raiz desta gripe está um sistema idêntico. No caso, a ganância sem freio das grandes indústrias de produção de carne, as mesmas que rejeitam sempre que podem - e podem muito - ser reguladas, fiscalizadas e vigiadas nos seus métodos e esquemas de produção em massa. Terreno fértil para infecção do bicho-homem.
(...) Se juntarmos a isso a pouca obstrução política aos interesses desta indústria e a aviltante postura das transnacionais do medicamento, perceberemos facilmente quem está, nesta como noutras histórias, feito ao bife

Sobre a gripe suína...

Precisamos de ser inoculados contra esta onda de pânico, escreve hoje Deborah Orr no Independent - e eu assino por baixo. Porque raio já há países, como a China e a Rússia, a proibirem a importação de carne de porco, quando o H1N1 não se transmite através da comida? No Egipto foi-se ainda mais longe, ordenando o abate de todos os porcos no país!
E porquê esta corrida às farmácias quando o Ministério da Saúde assegura que, em caso de necessidade, há uma reserva de medicamentos gratuitos para 2,5 milhões de portugueses?
É fundamental estarmos atentos e informados sobre o evoluir da situação mas é preciso não alimentar histerismos. O medo nunca foi, nunca será, um bom conselheiro.

terça-feira, 28 de abril de 2009

100 dias com Obama





Barack Obama está na Casa Branca há 100 dias e o assunto domina a capa desta semana da revista Time, com um artigo de análise de Joe Klein. Imperdível é esta galeria fotográfica, com 77 imagens de bastidores. A fotógrafa Callie Shell teve «carta branca» para acompanhar os primeiros meses de trabalho de Obama e mostra-nos momentos da vida do presidente norte-americano que, usualmente, não são do domínio público.

domingo, 26 de abril de 2009

A «rainha» de Bombaim

(Rubina (de preto), no bairro indiano de Behrampada. Foto: AFP)

Rubina tem apenas 9 anos. Alcançou a fama mundial ao participar no filme Slumdog Millionaire mas, finda a festa em Hollywood, regressou ao seu bairro de barracas, nos subúrbios de Bombaim. Este mês voltou a merecer a atenção da imprensa internacional quando um jornalista do tablóide News of the World se fez passar por intermediário de um xeque saudita, que a quereria comprar por 300 mil dólares. O pai aceitou o negócio, escreveu o jornal britânico. Mas hoje, no El Pais, Rafiq Qureshi jura que isso nunca aconteceu.

A verdade é que, como relata a jornalista espanhola Ana Gabriela Rojas, os produtores do filme prometeram pagar os estudos de Rubina, o governo indiano anunciou que lhes daria uma casa nova, a família continua a receber inúmeras propostas, mais ou menos sérias mas... nada mudou. Eles continuam a dormir no chão, numa barraca de quatro metros por quatro, numa rua onde correm esgotos a céu aberto.

Rubina parece indiferente à polémica. Continua a brincar na rua, com os amigos de sempre, mimada pelos vizinhos do bairro: «Todos me chamam Rainha.»

terça-feira, 21 de abril de 2009

Prémios Pulitzer

(Foto: Lynsey Addario / The New York Times)

O New York Times foi ontem distinguido com 5 dos 12 prémios Pulitzer, os mais prestigiados prémios de jornalismo do mundo, atribuídos pela Universidade de Colúmbia desde 1917. O júri premiou o trabalho do jornal nas categorias de Investigação, Internacional, Reportagem Fotográfica, Crítica e Notícias de Última Hora.
A cobertura «magistral e inovadora» dos «desafios políticos e militares» colocados à América nas guerras do Paquistão e do Afeganistão, mereceu o aplauso do júri, que salientou também o facto do jornal enviar equipas de jornalistas ao terreno «frequentemente», mesmo quando as condições não eram as mais favoráveis... Estas reportagens do Times foram sendo destacadas neste Blogkiosk (a última, a 6 de Abril) e são, de facto, peças raras «do melhor jornalismo internacional».
A investigação do jornalista David Barstow, Message Machine, também impressionou o júri pela forma como demonstrou a «influência» do Pentágono sobre vários generais reformados do Exército americano, «fardados» de comentadores «independentes» na rádio e televisão mas cumprindo ordens claras, defendendo apenas a postura oficial do governo sobre a Guerra do Iraque.
Com estes 5 prémios, o New York Times soma já 101 Pulitzers no currículo. O Washington Post, que no ano passado ganhou 6 prémios, venceu este ano apenas a categoria de Comentário. Mas os grandes derrotados são os meios online, considerados pela primeira vez a concurso. Só o Politico tinha artigos entre os nomeados... e não foi distinguido.
O Pulitzer mais prestigiado, o de Serviço Público, foi este ano atribuído à jornalista Alexandra Berzon, do Las Vegan Sun, pela reportagem Construction Deaths, uma «corajosa denúncia» da elevada mortalidade entre os trabalhadores da construção civil, conduzindo a mudanças legislativas e à elevação dos padrões de segurança no trabalho naquela região da América.

A lista completa das reportagens distinguidas pode ser vista aqui.

domingo, 19 de abril de 2009

Green Mind


(Ilustração: Stephen Wilkes/The New York Times)
Várias equipas de cientistas estão a tentar descobrir porque nos é tão difícil entrar em «modo verde». Quais as razões para a resistência dos nossos padrões de pensamento, dando prioridade ao «agora» e ao nosso pequeno mundo familiar, descurando o «amanhã» e a preservação do planeta? As suas descobertas poderão ser mais importantes para o combate às alterações climáticas do que qualquer avanço tecnológico. A ler, na revista de domingo do New York Times.

sábado, 18 de abril de 2009

Mais uma sexta-feira na Terra Santa

(Foto: AFP)
Ontem relembrei aqui a história de Tom Hurndall. Hoje acordei com esta notícia e depois vi este vídeo, na Al Jazeera. Sexta-feira, dia santo para judeus e muçulmanos, mais dois mortos e dezenas de feridos, na sequência da manifestação semanal de Bil'in contra o Muro de Separação, que se ergue nas terras da Cisjordânia. Testemunhas no local dizem que os manifestantes atiravam pedras aos soldados, as autoridades israelitas afirmam que um dos baleados carregava cocktails molotov e o outro entrara com uma faca no colonato de Beit El.

No sábado de manhã, um condutor palestino «mentalmente instável», segundo os relatos do Jerusalem Post, não parou no check-point de Hezmeh e atropelou dois soldados hebraicos.

Estes confrontos merecem pouco mais que um rodapé nos destaques da imprensa internacional. Afinal, é apenas mais um dia no Médio Oriente.