sábado, 18 de julho de 2009

"And that’s the way it is"


Era «o homem em quem a América mais confiava». Morreu hoje, aos 92 anos. Na CBS, Walter Cronkite deu, em directo, algumas das mais importantes notícias do século XX: a chegada do homem à lua, a morte de Kennedy, o início da guerra do Vietnam. E terminava a apresentação do jornal invariavelmente da mesma forma: "And that’s the way it is".
O New York Times, que publica os melhores obituários do mundo, prestou-lhe hoje uma bonita homenagem, destacando na primeira página o seu desaparecimento. No texto, de Douglas Martin, recordam-se alguns dos episódios que marcaram a carreira do jornalista. Como o momento em que, abandonando a sua habitual imparcialidade, criticou a guerra do Vietname. Como contaria mais tarde um assessor da Casa Branca, o Presidente Johnson deu um salto na cadeira e disse: «Se perdi Cronkite, perdi metade da América». E assim foi...

Aterragem forçada

«Um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a Humanidade...» A 20 de Julho passarão 40 anos sobre o momento em que Neil Armstrong proferiu esta frase, ao tocar no solo lunar. Desde então, o astronauta pouco ou nada diz. Recusa dar entrevistas e não participa em cerimónias públicas (exceptuando raras aparições na Casa Branca).
Depois de fazer história no espaço, a vida na Terra não foi fácil. Tal como a do seu companheiro de missão Buzz Aldrin que, durante anos, lutou contra uma depressão e problemas de alcoolismo. Ou a de Michael Collins, praticamente ignorado pelo grande público, enquanto os seus colegas da Apollo 11 eram reconhecidos nos quatro cantos do mundo.
Assediados pela imprensa, perseguidos por estranhos nas ruas, pressionados para seguirem carreiras políticas, os primeiros homens a pisar a Lua nunca mais tiveram paz. Tal como os 21 que se lhes seguiram. O artigo de capa da Time desta semana, assinado pelo jornalista Jeffrey Kluger, autor do livro Apollo 13, revela as histórias de vida destes heróis - e a sua luta para manterem os pés na terra, como comuns mortais.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

na primeira pessoa


Foto: Dipak Kumar/Reuters

Há uma tradição no jornalismo anglo-saxónico de que gosto muito: a publicação de textos das personagens principais de uma história, escritos na primeira pessoa. O trabalho do jornalista está lá, apesar de não o vermos. Foi ele que descobriu a história, que avaliou o interesse que teria para o público, definiu o espaço que merecia e que, quase sempre, escreve o texto, com base numa entrevista (ou várias) com a pessoa escolhida.
Mas, quando lemos um artigo como este no Guardian Weekly, sobre a experiência de um activista pelos direitos dos trabalhadores agrícolas indianos, não pensamos nisso. Ouvimos apenas a voz daquele homem, com quem criamos uma ligação próxima e imediata. Prestamos apenas atenção ao que nos conta: que há cada vez mais agricultores a suicidarem-se, desesperados com a seca que atinge as suas terras, por culpa das alterações climáticas. Podemos, é claro, distrair-nos por momentos, pensando que este é um bom artigo para esfregar na cara daqueles que ainda duvidam das consequências ambientais criadas pelo nosso insano estilo de vida.
E podemos, no fim, reparar na nota:
• Kishore Tiwari was speaking to journalist Rajen Nair
Ou não.
Não tem importância.
Nenhuma.
Só a história importa.
Gostava mesmo muito que, também por cá, mais jornalistas conseguissem arrumar assim os seus egos na gaveta.

domingo, 12 de julho de 2009

os mistérios das baleias

O que leva dezenas de baleias a morrerem no mesmo dia, em aparentes suicídios em grupo? O que as motiva a rondar alguns barcos, da forma mais suave que conseguem, aparentemente conscientes da fragilidade humana, como quem diz olá?
Um excelente artigo na revista de domingo do New York Times sobre a inteligência destes mamíferos, apoiado nos mais recentes estudos científicos norte-americanos. Onde se fala também da magia única dos encontros com estes gigantes do mar. Fiquei com saudades dos Açores...
«A female humpback was spotted in December 2005 east of the Farallon Islands, just off the coast of San Francisco. She was entangled in a web of crab-trap lines, hundreds of yards of nylon rope that had become wrapped around her mouth, torso and tail, the weight of the traps causing her to struggle to stay afloat. A rescue team arrived within a few hours and decided that the only way to save her was to dive in and cut her loose.
For an hour they cut at the lines and rope with curved knives, all the while trying to steer clear of a tail they knew could kill them with one swipe. When the whale was finally freed, the divers said, she swam around them for a time in what appeared to be joyous circles. She then came back and visited with each one of them, nudging them all gently, as if in thanks. The divers said it was the most beautiful experience they ever had.
As for the diver who cut free the rope that was entangled in the whale’s mouth, her huge eye was following him the entire time, and he said that he will never be the same.»

sexta-feira, 10 de julho de 2009

história da semana

Mais um capítulo da série One in 8 Million, do New York Times: a fabulosa história do senhor Fortmeyer, um bombeiro reformado de Brooklyn, que cultiva um estranho hobby... colecciona garrafas antigas, que descobre nos quintais dos nova-iorquinos. Metade da aventura está, precisamente, em convencê-los a permitir que esburaque os jardins todos!
As garrafas são, de facto, lindíssimas, como podem ver aqui. E depois de ouvi-lo falar da sua paixão, torna-se evidente que não poderia ter outro desejo para o destino dos seus restos mortais, quando deixar de ter vida para continuar à procura destes «tesouros»: quer ser cremado, colocado dentro da sua garrafa favorita... e enterrado no quintal.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Codex online

A Bíblia mais antiga do mundo está integralmente acessível online a partir de hoje, graças a uma parceria entre a Biblioteca Britânica, a Universidade de Leipzig, o Mosteiro de Santa Catarina (Egipto) e a Biblioteca Nacional Russa. O documento do século IV, que é também o livro encadernado mais antigo que sobreviveu até aos nossos dias, conforme explica o El Pais, abre oportunidades ímpares a estudiosos de todo o mundo.
Pela primeira vez, será possível ver reunidas as 800 páginas do Codex Sinaiticus, até hoje dispersas nas bibliotecas parceiras deste projecto multimédia. Algumas das páginas, encontradas em muito mau estado num compartimento do mosteiro egípcio, em 1975, nunca antes haviam sido mostradas ao público.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

«Cornudo»


Ai, ai. Eu gostava de voltar de férias e encontrar outras notícias. Mas é impossível passar ao lado deste destaque de hoje no El Pais, explicando com todas as letras o que os jornais portugueses parecem ter dificuldade em nomear:

«La fragilidad política del primer ministro portugués, José Sócrates, se agravó ayer con un escándalo mayúsculo en el Parlamento que provocó la dimisión del ministro de Economía, Manuel Pinho. Pésima señal en la recta final de la legislatura, a poco más de dos meses de las elecciones. La Asamblea de la República, en sesión plenaria, realizaba el último debate parlamentario antes de vacaciones sobre el Estado de la Nación, en el que la oposición en bloque, derecha e izquierda, condenó la política del Gobierno socialista. El diputado Bernardino Soares, portavoz del grupo parlamentario comunista, estaba en el uso de la palabra cuando desde su escaño en el banco del Gobierno el ministro Pinho gesticuló ostensiblemente, colocando sus dedos índice en la cabeza, para llamar cornudo al diputado comunista.
El debate era sobre la difícil situación que atraviesan las minas de cinc de Aljustrel, en la región de Alentejo. Soares dijo que el ministro había visitado aquella localidad para entregar cheques. Como respuesta, el ministro hizo el gesto que provocó una sonora protesta en la Cámara, sobre todo en los escaños comunistas y del Bloco de Esquerda, profundamente ofendidos. La cascada de protestas desde todas las filas políticas parecía interminable.»

quarta-feira, 17 de junho de 2009

pausa informativa

Este kiosk vai encerrar para férias... e férias, desculpem, não são a mesma coisa com telemóveis ligados e acessos à Internet. Nas próximas semanas vou estar entregue às leituras em papel, às conversas cara a cara, aos mergulhos nas praias de água turquesa do Mediterrâneo.
Voltarei em breve, espero que voltem também. Até lá, boas leituras!

Revolta no Irão

Os telemóveis não funcionam, a Internet está «cortada», os jornalistas internacionais (os poucos que lá conseguiram entrar...), proibidos de cobrir qualquer assunto que não conste do programa definido pelo «Ministério da Cultura e Orientação Islâmica». Mas lá vão conseguindo romper as barreiras da censura e contar-nos que os iranianos estão na rua. Hoje milhares de pessoas voltaram a estar divididas, nas ruas de Teerão, em duas grandes manifestações. De um lado, os apoiantes do presidente (reeleito) Mahmoud Ahmadinejad; do outro, os defensores do (derrotado) reformista Mir-Hossein Mousavi. E voltaram a envolver-se em confrontos com a polícia havendo registo de, pelo menos, oito mortos.
Sobretudo porque a informação é escassa e a realidade é complexa, importa ler com atenção a cobertura da correspondente do El País no Irão, Angeles Espinosa, que ali vive há vários anos. Destaco apenas o texto de hoje, Um País Partido em Dois. Mas sigam diariamente as pistas da sua página especial no site do diário espanhol. Também a excelência deste jornalismo está, nos dias que correm, ameaçado de extinção.

sábado, 13 de junho de 2009

contas estragadas...


Os números revelados esta semana pela Economist não são animadores... Tentando ultrapassar a crise financeira, os Estados endividiram-se a um ritmo alucinante no último ano e, segundo dados do FMI, em 2014 os dez países mais ricos do mundo terão uma taxa de endividamento de 114%, contra os 78% de 2007. Um dívida que representa qualquer coisa como 50 mil euros por cada cidadão... e sim, seremos nós a pagar cada tostão.
Vêm aí mais impostos, o adiamento da idade da reforma e pensões mais baixas. O futuro, escreve a revista norte-americana, é ainda mais «grey» devido ao envelhecimento da população. Em 2050, um terço da população das nações mais ricas terá mais de 60 anos - e os custos desta crise demográfica serão dez vezes mais pesados que os da actual crise mundial. Mas quem sabe se não é desta que os governos acordam para o problema do envelhecimento e da baixa natalidade no mundo ocidental...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

leitura da semana


Na Time desta semana, um texto muito interessante sobre «a forma como o Twitter vai mudar o nosso mundo». Ou, pelo menos, como já está a mudar a nossa forma de comunicar, condensando a vida em mensagens de 140 caracteres...

domingo, 7 de junho de 2009

A «coisa» Berlusconi

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi utilizava aviões da Força Aérea italiana para levar os seus amigos a passar fins-de-semana na sua mansão da Sardenha. Será apenas mais um dos muitos abusos do primeiro-ministro italiano mas a verdade é que nenhum jornal do país investigou o assunto e foi o fotógrafo freelancer Antonello Zappadu que decidiu, desde 2007, investir o seu tempo na vigilância do que se passava na casa particular do político. E foi um jornal espanhol, o El Pais, que publicou parte desse trabalho - em Itália, o tema foi censurado e, por ordem do governo, mais de 300 fotos do jornalista foram apreendidas, quando este tentou vendê-las à revista italiana Panorama (de que Berlusconi também é proprietário...)

O primeiro-ministro já anunciou que vai processar o El Pais por invasão de privacidade. Pode ser discutível se as fotografias de apresentadoras de televisão, bailarinas e outras jovens em topless à volta da piscina de Berlusconi têm interesse público. Pode ser censurável a publicação de uma imagem onde se reconhece o ex-ministro checo Mirek Topolanek - está nu e, digamos, excitado com a paisagem circundante. Mas parece-me inegável o interesse da denúncia da utilização de dinheiros públicos italianos para a realização destas festas.

José Saramago, que viu os seus «Cadernos» recentemente censurados em Itália, pelo mesmo Berlusconi, partilha essa opinião. No El Pais de ontem escreve um artigo que, só pelo título, já seria arrasador: «A coisa Berlusconi»:

«Uma coisa perigosamente parecida com um ser humano, uma coisa que dá festas, organiza orgias e manda num país chamado Itália.»

«Esta coisa, esta enfermidade, este vírus ameaça ser a morte moral do país de Verdi se um vómito profundo não o conseguir arrancar da consciência dos italianos, antes que o veneno acabe corroendo as veias e acabe destroçando o coração de uma das mais ricas culturas europeias.»

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Lama que quer ser realizador de cinema

Osel Hita Torres tinha apenas 14 meses quando um grupo de monges budistas tibetanos bateu à porta dos seus pais, em Granada, Espanha, anunciando-lhes que o seu filho era a reencarnação do venerável Lama Yeshe. A família voou para Dharamsala, na Índia, onde o exilado Dalai Lama o reconheceu e renomeou como Lama Tenzin Osel Rimpoché. Os pais regressaram a Espanha e o menino foi criado num mosteiro de clausura, nos Himalaias. Contudo, aos 18 anos despiu as vestes cor de açafrão e virou costas ao destino que nunca quis.
Em entrevista ao El Mundo, o rapaz, hoje com 24 anos, diz que sofreu muito no mosteiro, onde imperam «leis medievais», e que não acredita ser, na verdade, a «divindade» que mais de 5 000 monges sentavam num trono e adoravam.
Osel tem agora 24 anos, estuda realização de cinema em Madrid e quer ser apenas um «tipo normal»: que vai a discotecas, que tem namoradas, que leva porrada nas manifestações contra a guerra. Que «normalidade» pode haver num homem cujas brincadeiras de criança foram o estudo da religião e da filosofia e que teve, em vez dos carinhos de uma mãe, a idolatração de milhares de pessoas? Só ele poderá encontrar a resposta.
A entrevista tem momentos fascinantes, como quando fala da sua impossibilidade de cumprir a missão de passar ao mundo «a verdade»:
«Não podes dizer a ninguém 'Esta é a verdade, toma', porque nunca será a sua verdade, apenas a tua. Cada um deve buscar dentro de si o caminho porque quando mais procuras fora de ti mas te afastas do teu ser.»
Ou quando a jornalista Ana Maria Ortiz lhe pergunta se mantém a crença budista:
«Não. Sou um agnóstico científico espiritual. Acredito na consciência e nas vidas passadas e futuras. Para mim a vida não termina quando se morre, não teria sentido. O cérebro não pode ser a única coisa que nos mantém vivos. Também há a alma, a consciência, o ser, que é eterno.»

sexta-feira, 29 de maio de 2009

pequenas grandes histórias


São histórias de gente anónima, nas ruas de Nova Iorque. Com o projecto One in 8 Million o New York Times prova que o jornalismo se pode renovar constantemente e encontrar outras formas de nos contar o mundo.

O trabalho dos jornalistas é quase invísivel - como sempre acontece quando a emoção das histórias fala mais alto. Os «personagens» escolhidos falam directamente connosco e acabamos por descobrir as suas vidas através do olhar do fotógrafo Todd Heisler. A preto e branco, sempre. São, afinal, as cores que melhor ficam à cidade.

Já ri e já fiquei de coração apertado a ouvir as histórias desta gente. Nunca esquecerei May Wong Lee, a asiática que levou para casa uma menina etíope; Maggie Wirth, a emprega de mesa-cantora; Joe Manniello, o barbeiro italiano que corta cabelos há 36 anos no terminal de autocarros; Jim Romano, o fotógrafo de jornais tablóides, que palmilha as ruas de Manhantan desde 1946; Henry Reininger, o contabilista de 72 anos que recebe clientes 24 horas por dia...

O projecto já conta com mais de 20 perfis e, todas as semanas, uma nova história é revelada no site. Duram apenas dois minutos. Dois minutos onde cabe uma vida inteira. É preciso ver para crer.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Um ano de Dispatches


É o quarto número desta revista trimestral, que já faz parte das minhas leituras favoritas. Depois de edições dedicadas à América, ao Iraque e à Rússia, eis este dedicado à Pobreza. A qualidade das reportagens, das investigações, dos portefólios fotográficos e da opinão fazem-me continuar a acreditar na possibilidade de um jornalismo puro e duro, sem concessões - nem sequer à publicidade, pois esta revista recusa qualquer tipo de anúncio. A sua sobrevivência depende exclusivamente dos leitores.
Os fundadores da Dispatches anunciaram, há um ano, que lhes bastariam 10 mil assinantes para fazer este projecto vingar. Não sei se o conseguiram. Sei que eu sou uma delas (por 50€ anuais) e espero poder continuar a receber a revista, por muitos e bons anos, na minha caixa do correio.
Os textos são apenas apresentados sumariamente no site que, no entanto, aconselho a consultarem. Mas para ler mais têm mesmo que comprar a revista. Acho bem. Sei que, nos tempos que correm, não é politicamente correcto dizê-lo: mas por que raio havia o talento de tantos repórteres, que dedicaram meses de trabalho e arriscaram a sua vida nos piores infernos deste mundo, ser oferecido gratuitamente na Internet?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Colombo, único e original

Há quem use os telemóveis só para falar com os amigos. Outros para ouvir música, ler e-mails, dar uma de paparazzi... Mas para desenhar? Pois é. Esta capa da New Yorker foi desenhada por Jorge Colombo e é ainda mais fabulosa por ter sido criada no iphone, usando um novo programa, «brushes». A revista explica o processo, disponibilizando também um vídeo da criação, e promete publicar online, todas as semanas, mais uma criação do ilustrador português.
A inovação foi notícia em todo o mundo: do New York Times ao El Pais. E já não faltam artistas a mostrar que também sabem ser «originais». Mais um«ovo de Colombo»...

domingo, 24 de maio de 2009

How to be a Man?



É uma das mais fabulosas capas de sempre da Esquire. Com George Clooney... mas também Barack Obama e Justin Timberlake. Não se vêem nesta imagem mas, através de cortantes na capa, os rostos dos «senhores que se seguem» vão aparecendo, permitindo-nos construir 27 combinações (e capas) diferentes (podem perceber melhor vendo este vídeo).
O tema central desta revista intrigou-me: «How to be a Man». Comecei por ler este artigo, à procura de pistas: What is a Man? E, se não concordo com todas as respostas, sei bem que esta é a mais pura das verdades:
A man knows how to lose an afternoon. Drinking, playing Grand Theft Auto, driving aimlessly, shooting pool. He knows how to lose a month, also.
O género de conversa...
- «O que vais fazer hoje?»
- «Nada»
... é mais comum no reino dos homens. As mulheres têm mais dificuldade. O que não é necessariamente bom.
Num número para homens, sobre homens, há muito mais a explorar (também por mulheres curiosas...) Entrevistas, testes, artigos de opinião com o típico sentido de humor a que a revista já habitou os seus leitores.
Gostei especialmente de um artigo ao estilo vox-populi, perguntando a 41 «tipos normais» o que aprenderam na vida. Eu, que hoje agradeço especialmente o amor incondicional dos meus amigos, concordo com o Arnold, de Filadélfia:
It's people that make us crazy, so it's gotta be people that make us well.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

falhar... e crescer


Um guia para sobreviver ao falhanço? Eis o tema de capa da Psychology Today que acaba de chegar às bancas. Comecei a ler, renitente, distanciada, quase desinteressada. No fundo, no fundo, quem ainda tenha uma réstia de auto-estima dificilmente considera, assim à primeira vista, que este assunto possa ter alguma coisa a ver connosco... naaahh...
«Falhar» é uma palavra muito forte. E traz, por arrasto, uma série de amigas de que também não gostamos nada. Como a vergonha. Ou a culpa.
Bom, como estão a ler este post, já devem ter percebido que «o tema», afinal, é muuuuito interessante. Ao segundo parágrafo já estava conquistada. Porque o texto fala das pequenas e grandes derrotas que todos (todos...) acabamos por sofrer, mais dia menos dia. Dificuldades financeiras, problemas no trabalho, desilusões amorosas. E explora essa extraordinária teoria de que os falhanços (com ou sem culpa...) são, na verdade, oportunidades para crescermos - e, quem sabe, catapultar a nossa vida para um nível muito melhor. Foi o que aconteceu ao poeta Philip Schultz, citado no início do artigo, que, até aos 11 anos, nem sequer sabia escrever...
Não é novidade, eu sei. Mas a forma como é apresentada fez-me sorrir, fez-me sentir bem. Fez-me ficar como a miúda serenamente confiante que enche a capa da revista: com a minha armadura contra as agruras da vida um pouco mais fortalecida.

terça-feira, 19 de maio de 2009

«15 melhores séries de televisão de sempre»


O Carlos Santos lançou-me o desafio... e como fica mal cortar a corrente de amizade que pretende unir a blogosfera nacional, aqui fica a minha lista das «15 melhores séries de televisão de sempre»:

1. West Wing (Os Homens do Presidente). Absolutamente brilhante. E tão real... Como este diálogo entre Leo e Santos, perante o volumoso programa de governo que o futuro Presidente queria aprovar:

Leo: Ok. Let’s start by refraining the question. Forget about a four year term, the presidency is 18 months. That’s your window. After that, there’s midterms. No one on the Hill has time to do business with you, they’re too busy getting re-elected
Santos: Huh.
Leo: Then suddenly, you’re running again.
Santos: So I’m basically throwing everything out but my first five pages.
Leo: In the garbage. Realistically, one page. But, we can do this in phases.

2. Seinfeld. Tenho a colecção completa em dvd, já vi todos os episódios mais de uma dúzia de vezes e, ainda assim, se estou a fazer zapping e tropeço num episódio na Sic-Radical, fico agarrada até ao fim! Adoro o Kramer... e o George. Entre os dois, o meu coração balança :)

3. Sopranos. Do I need to say more?
4. ER (Serviço de Urgência). Acabou agora nos EUA, depois de 15 anos no ar. Daqui a uns 3 meses vai acabar por cá (passa no AXN, às 6as, às 21h30) e já sei que vou chorar que nem uma Madalena.

5. Band of Brothers. Também está na colecção de dvd cá de casa. Para mim, um dos melhores trabalhos de sempre de Spielberg.
6. Alô, Alô... Listen very carefully, I shall say this only once.

7. Fawlty Towers. Com o maravilhoso John Cleese. Não seria preciso mais.
8. Sete Palmos de Terra. Um dos melhores argumentos dos últimos anos, mérito do senhor Alan Ball. E que personagens... Como esquecer aquela mãe?
9. Sex and the City. Se calhar é uma coisa de miúdas que gostam de Nova Iorque e de sapatos, não dá para explicar :)

10. X-Files. Noutro dia tentei rever um episódio e... naaah. Mas foi das séries que mais me marcaram. Fica a grata memória das noites em que trocava tudo para ficar à espera do Mulder...

11. Twin Peaks. Laura Palmer, by David Lynch. Um marco.

12. Yes, Minister. Inesquecível, Sir Humphrey Appleby.

13. Irmãos e Irmãs. Esta é nova. Só vai na série 3 mas já me conquistou. A culpa é da Sally Field. Chamem-me lamechas, não me importo... Os Walker já fazem parte da minha família.

14. Anatomia de Grey. Porque me faz rir e chorar. Porque gosto da muito-pouco-ou-nada-perfeita relação de Meredith com o seu McDreamy.

15. Mentes Criminosas. Bom... esta vem na sequência de séries como CSI (Las Vegas, please) e afins. Agora embala-me no sofá, quase todos os dias, antes de dormir. Afeiçoei-me ao louco Dr. Reid, que querem que faça?


E agora... Cenas do próximo episódio: a corrente não pode ser quebrada. Não aqui, pelo menos. Por isso Patrícia, Miguel, Carlos, Hugo e Alexandre, partilhem lá com a malta as vossas escolhas :)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

felicidade

Haverá uma fórmula para ser feliz? A pergunta, tantas vezes repetida, volta a ser colocada pela Atlantic na edição de Junho.
Este artigo, contudo, é muito diferente de todos os que já li sobre o assunto. O jornalista Joshua Wolf Shenk teve acesso exclusivo aos arquivos de George Vaillant, o mítico investigador de Harvard que liderou o mais prolongado estudo sobre o tema alguma vez realizado. Ao longo de 72 anos, uma equipa de cientistas seguiu as vidas de 268 homens: acompanharam as suas carreiras, casamentos e divórcios, as missões em várias guerras, as experiências como pais e avós... todos os altos e baixos das suas vidas, da juventude à velhice.
Vaillant foi crucial no desenvolvimento deste projecto, como explica o jornalista, que também traça o seu perfil. E o que procurava este homem, de forma tão obsessiva? A forma como respondemos à adversidade. É aí, acredita, que reside a chave da nossa felicidade:


«His central question is not how much or how little trouble these men met, but rather precisely how—and to what effect—they responded to that trouble. His main interpretive lens has been the psychoanalytic metaphor of “adaptations,” or unconscious responses to pain, conflict, or uncertainty. Formalized by Anna Freud on the basis of her father’s work, adaptations (also called “defense mechanisms”) are unconscious thoughts and behaviors that you could say either shape or distort—depending on whether you approve or disapprove—a person’s reality.
Vaillant explains defenses as the mental equivalent of a basic biological process. When we cut ourselves, for example, our blood clots—a swift and involuntary response that maintains homeostasis. Similarly, when we encounter a challenge large or small—a mother’s death or a broken shoelace—our defenses float us through the emotional swamp. And just as clotting can save us from bleeding to death—or plug a coronary artery and lead to a heart attack—defenses can spell our redemption or ruin.»