domingo, 7 de agosto de 2011

O roubo da Mona Lisa


Um dos mais memoráveis roubos de sempre aconteceu há 100 anos: a 9 de Agosto de 1911, o pintor, pedreiro e vidreiro italiano Vincenzo Peruggia (na foto), que havia fabricado o vidro que protegia a Mona Lisa, conseguiu retirar a obra de Da Vinci da sua moldura, escondê-la dentro do seu macacão de trabalho e sair calmamente do Louvre.
No dia seguinte ainda ninguém tinha dado pela falta da obra-prima mas, assim que o alarme soou, a sociedade da época entrou em choque. Os jornais de todo o mundo passaram meses a acompanhar o caso e o Financial Times, neste artigo publicado na edição de fim-de-semana, reproduz algumas dessas deliciosas notícias. Como aquela em que se conta que o Louvre, depois de ter encerrado durante uma semana, para «averiguações», passou a ter filas à porta (o que nunca antes se tinha visto) só para ir olhar para o vazio que restava na parede, depois do inacreditável roubo.
Apesar das investigações terem ficado a cargo do famoso Alphonse Bertillon (considerado o Sherlock Holmes francês), passaram-se dois anos sem que houvessem pistas credíveis para recuperar a Gioconda. Bertillon andava longe, muito longe da verdade. Chegou mesmo a suspeitar de Pablo Picasso - e conta-se que o pintor até chorou durante o duro interrogatório.
O verdadeiro ladrão, afinal, acabou por entregar-se quando tentou «devolver» a pintura a Itália, de onde achava que Napoleão a havia roubado... Os especialistas das Uffizi chamaram a polícia, claro.
Uma história fabulosa para ler inteirinha, com um sorriso nos lábios, na Financial Times Magazine.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Leitura da semana

(Photoillustration/John Ritter, New Yorker)

De tirar a respiração, este Getting Bin Laden, escrito por Nicholas Schmidle e publicado esta semana na New Yorker.
É raro ler textos desta qualidade e, por isso, recordei logo um dos melhores de sempre, “Black Hawk Down” , de Mark Bowden. Se não leram na altura (foi publicado no Philadelphia Inquirer em 1997), vale a pena seguir o link e ler esta fabulosa reportagem sobre o cerco às tropas norte-americanas em Mogadíscio, na Somália (e sim, foi este o texto que depois Ridley Scott adaptou ao cinema). A sua (re)leitura acaba por ser curiosa agora em que a Somália volta a ser falada nos jornais, pelo agudizar de uma crise que, na verdade, nunca deixou de existir...
Mas voltemos à New Yorker, ao Paquistão e a este texto onde se reconstitui, ao ínfimo pormenor, a operação das forças especiais da marinha norte-americana em Abbottabad. Desde o início, como aqui se revela, os SEALS nunca ponderaram capturar o líder da Al Qaeda. Eles tinham uma única missão: matá-lo.


(...) A second SEAL stepped into the room and trained the infrared laser of his M4 on bin Laden’s chest. The Al Qaeda chief, who was wearing a tan shalwar kameez and a prayer cap on his head, froze; he was unarmed. “There was never any question of detaining or capturing him—it wasn’t a split-second decision. No one wanted detainees,” the special-operations officer told me. (The Administration maintains that had bin Laden immediately surrendered he could have been taken alive.) Nine years, seven months, and twenty days after September 11th, an American was a trigger pull from ending bin Laden’s life. The first round, a 5.56-mm. bullet, struck bin Laden in the chest. As he fell backward, the SEAL fired a second round into his head, just above his left eye. On his radio, he reported, “For God and country—Geronimo, Geronimo, Geronimo.” After a pause, he added, “Geronimo E.K.I.A.”—“enemy killed in action.”
Hearing this at the White House, Obama pursed his lips, and said solemnly, to no one in particular, “We got him.”

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A capa da semana


Kirsten Dunst, na Elle britânica. Linda.
Lá dentro, uma bela conversa com a actriz que já tem 26 anos de carreira (ok, começou aos três...). Tudo a propósito da estreia do filme Melancholia, de Lars von Trier, que lhe valeu o prémio de Melhor Actriz, em Cannes.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Grandes histórias


Há um casal de sangue azul na capa da Vanity Fair de Julho (William & Kate, conquistando a América) mas é no interior da revista que se encontra a história de príncipes que vale mesmo a pena ler: Em The Prince Who Blew Through Billions conta-se a história de Jefri Bolkiah, irmão do sultão do Brunei, um playboy com um estilo de vida inacreditável, aparentemente financiado com um desvio de quase 15 mil milhões de dólares, realizado aquando da sua passagem pelo governo do Brunei como ministro das Finanças...
Coleccionador de carros de luxo (tem mais de dois mil...), de relógios, jóias e mulheres, passou as últimas semanas num tribunal nova-iorquino, pois o sultão queria provar que os administradores da fortuna da família (e das 250 empresas que possuem) lhe tinham roubado 23 milhões de dólares.
O processo foi mais um dos seus caprichos: só as custas processuais ultrapassaram os 100 milhões. Os irmãos, que continuam a fazer corridas de Ferrari nas ruelas da sua terra natal, perderam o processo mas já anunciaram: vão recorrer.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Fotografar Phelps

São cada vez mais fabulosas as fotografias que se vão publicando na imprensa mundial, traduzindo as emoções que se vivem no Campeonato do Mundo de Natação, a decorrer em Xangai. Esta é, de todas, a minha preferida, até ao momento: regista o voo de Michael Phelps para a água, na prova dos 200 metros mariposa.
O americano conquistou o ouro, uma vez mais. Os jornalistas já o esperavam, ainda antes dele entrar na água. E todos os fotógrafos lutavam para ter «a» foto, aquela que  os jornais de todo o mundo iriam querer publicar, falando dos feitos deste atleta que, com mais esta vitória, se tornou no primeiro a conseguir ganhar cinco vezes a mesma prova, em Campeonatos do Mundo: já tinha vencido em 2001 (Fukuoka), 2003 (Barcelona), 2007 (Melbourne) e 2009 (Roma).
Não sei se Phelps terá visto esta imagem da fotógrafa Christinne Muschi, da Reuters, mas acho que concordaria comigo: ela também merecia uma medalha.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Souto de Moura, in El País

(Foto: Sofía Moro/El País)

Estar com Obama, diz Souto de Moura ao El País, foi tão importante como receber o Pritzker. O encontro não durou mais de 5 minutos e, no entanto... Nas páginas da revista dominical do jornal espanhol o arquitecto português fala da sua recente viagem a Washington e de muito mais: da infância em Braga, dos estudos universitários no Porto, de Siza Vieira, da sua mulher e filhas (todas arquitectas!) e da delicada relação com os clientes. Incluindo esse cliente tão especial, CR7:

 
¿Construirá la casa para Cristiano Ronaldo?
La diseñé. Pero cuando vino a Madrid suspendió la obra. La paró.

 ¿Por qué?
Se lo quiere pensar. Tenía problemas de construcción. El proyecto de la casa fue aprobado, pero se levantaba en un terreno donde había muchos árboles protegidos. Mi hermano fiscal había iniciado un proceso de persecución a quienes cortan los alcornoques protegidos. No era cuestión de que me pusiera yo a cortar los alcornoques de Ronaldo para hacer sitio a su casa, enorme, de 1.200 metros. Talar los árboles no era legalmente posible. Además, imagínese los titulares: Souto contra Souto. Él estaba furioso porque le vendieron el terreno sin advertirle de que los árboles estaban protegidos. Le dije que cambiáramos de terreno y que haría otro proyecto. Y se molestó.

 Es sorprendente que lo buscara a usted, que lo quisiera como arquitecto.
No. Es muy simple. Es amigo del presidente del Braga. Le gustó el estadio y me llamó. Yo no entendía mucho de fútbol ni él de arquitectura. Pero después de hablar con él conseguimos una relación muy directa. Él pedía y yo le decía si era o no posible.

¿Qué no era posible?
Un lago, una isla, algunas de las cosas que quería. Estos tíos tan importantes tienen una corte que los protege y los cuida. Pero les dicen cosas que no son verdad. Por eso al final la única manera de hablar con él fue ir a visitarlo a Manchester. No le querían dar un disgusto informándole de que los árboles no se podían cortar.
¿El proyecto está parado?
Se suspendió. Pero cuando me dieron el Pritzker leí una noticia, no sé si especulación: Ronaldo quiere de nuevo la casa.

¿Las estrellas atraen a las estrellas?
[Risas] Será eso.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sobre a Noruega

(Ilha de Utoya, Noruega. Foto: Jeff J Mitchell/Getty Images)


Sábias palavras, as de Aslak Sira Myhre, no Guardian:
 
"Some hours after the bomb blast, the Norwegian prime minister, Jens Stoltenberg, said that our answer to the attack should be more democracy and more openness. Compared to Bush's response to the attacks of 9/11 there is good reason to be proud of this. But in the aftermath of the most dreadful experience in Norway since the second world war I would like to go further. We need to use this incident to strike a blow to the intolerance, racism and hatred that is growing, not just in Norway, nor even only in Scandinavia, but throughout Europe."

sábado, 23 de julho de 2011

Guimarães, by New York Times

(Foto: João Pina para o New York Times)

Aquela que será a Capital Europeia da Cultura em 2012 merece este fim-de-semana o destaque do suplemento de viagens do New York Times. Em The Arts Take Root in Portugal’s ‘Cradle City’, o jornalista Charly Wilder enaltece a herança histórica da cidade mas também dá atenção aos locais noturnos mais trendy, à nova cozinha e, claro, aos movimentos culturais que estão a dar uma outra vida à cidade-berço de Portugal. As fotos são do "nosso" João Pina.
Genial é a descrição de um dos locais recomendados para comer (ou para visitar...), a típica cervejaria Martins. Ora leiam:

"A taste of old, rough-around-the-edges Guimarães can be found at Cervejaria Martins, a beer joint on stately Toural Square. Morning to night, men sit around the large horseshoe bar among a clutter of ceramic beer mugs and soccer scarves, watching televised bullfights, snacking on fat shrimp and bowls of tremoço beans and downing 90-cent draughts. Not much has changed here since it first opened in 1951; the lighting is unromantic, the beer is Super Bock (the brand most common to Portugal’s north) and the conversation is deliciously unrefined.
Though Guimarães’ newfound cultural prowess is a decided draw, the legions of new visitors headed for the city in the next year — from residents of outlying villages to international cultural stars like the French director Jean-Luc Godard — would be remiss not to experience the provincial charms of spots like Martins. That said, if you’re a vegetarian, it may be advisable to bring your own salad."

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Leitura da semana


Se virem por aí esta edição da New Yorker, não hesitem: apanhem-na! Além da belíssima capa (da autoria de Barry Blitt), há três razões para gastarem o vosso dinheirinho nesta revista:

1. O artigo Mastering the Machine, escrito por John Cassidy, acompanhando o dia-a-dia de Ray Dalio, o magnata que fundou a Bridgewater Associates e criou o maior e o mais estranho de todos os hedge funds. Assustador...

2. O postal de Los Angeles, «enviado» por Dana Goodyear, que ali encontrou Robert Jobson, o editor de assuntos da realeza do News of the World, escrevendo o seu último artigo, com o sugestivo título: “Hey Becks, Give Posh Our Love: Will’s Baby Message”. Hilariante...!

3. As palavras de Gay Talese, o rei, o mestre, o maior de todos os escribas ainda vivos (se não o conhecem espreitem aqui e corram a comprar todos os seus livros). Infelizmente, o artigo não está acessível online, mas Andy Young faz o favor de escrever sobre esse acontecimento que é publicar um artigo de Talese, e assim ficamos a saber que ele fala sobre um edifício na sua rua onde já abriram (e fecharam) inúmeros restaurantes. Que interessa? Acreditem, ele poderia escrever sobre qualquer coisa, aquelas duas páginas de letrinhas valem o preço de uma assinatura anual da revista. Genial.

Boas leituras!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Descoberta da semana

Só esta semana descobri esta revista australiana (obrigada Vasco!) que tem parte dos seus conteúdos disponíveis online. A Monster Children é uma boa surpresa, com uma atitude arrojada tanto ao nível do design como dos conteúdos. Cada número tem um tema central mas a revista não é temática, misturando de forma equilibrada interesses do mundo do surf, skate, design, música, cinema e fotografia.
A edição deste mês presta tributo a Dennis Hopper (na capa surge o seu olhar melancólico, a preto e branco, no cenário das filmagens de Apocalipse Now). Nas páginas seguintes viaja-se no tempo, começando por espreitar os centros comerciais americanos dos anos 80, para terminar nos dias de hoje, numa surf trip a Marrocos.
A assinatura para Portugal custa 100 dólares por ano (cerca de 20 euros por edição).

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Grandes histórias

(Foto: Nicole Bengiveno/The New York Times)

Leio no New York Times que Diana Nyad quer fazer o que nenhum outro atleta jamais tentou: vestir o seu fato de banho e nadar os 165 km que separam Cuba das ilhas Key, na Flórida, sem parar. Quer isto dizer que, com sorte e muito ritmo, ela terá de nadar durante um dia e uma noite, depois outro dia e toda a noite, e ainda outro dia inteirinho.
Além da dureza física, esta prova é especialmente difícil porque estas águas estão infestadas de tubarões. Houve quem completasse provas como a que Diana sonha cumprir mas... nadando dentro de uma jaula. Ela já o experimentou, também - mas a experiência não foi bem sucedida e nadar enjaulada, no oceano imenso, não combina com esta mulher, que detem há mais de 30 anos o recorde de natação em mar aberto (102 milhas/164 km, de Bimini, nas Bahamas, a Jupiter, na Flórida).
Sim, leram bem, há 30 anos. Diana tem hoje 61. E diz que se sente fisicamente muito mais forte do que quando era uma miúda de 20. Mentalmente também. É com desassombro que explica  como conta afastar o medo dos tubarões cantando. A música parece ajuda-lá também a manter o ritmo das braçadas. Ticket to Ride, dos Beatles, é a sua preferida. Vou passar o Verão a trauteá-la, torcendo por ela.

domingo, 10 de julho de 2011

News of the World (1843-2011)

A primeira e a última edição do News of the World, que hoje se despediu das bancas, na sequência do escândalo com as escutas telefónicas ilegais que realizava (pelo menos...) desde 2005.
Sinceramente, é o tipo de leitura que não me fará falta. Mas é sempre triste ver um título morrer. Além disso, em 168 anos de história, como este best of hoje publicado comprova, nem tudo o que ali se escreveu era lixo. Posso não retribuir o «thank you» da sua derradeira manchete, mas aqui fica o meu «goodbye».

sexta-feira, 3 de junho de 2011

E emigrar para Marte? Podemos?


Leio aqui (graças ao Bureau of Investigative Journalism, organização sem fins lucrativos que se dedica à investigação jornalística), que a Comissão Europeia gastou, entre 2006 e 2010, mais de 7,5 milhões de euros só em jactos privados...
Além dos voos de luxo, há jóias compradas na Tiffany's, festas de arromba por toda a Europa, férias de comissários e respectivas famílias na Papua Nova Guiné...
Até Durão Barroso, concerteza desforrando-se dos tempos da tanga em Portugal, gastou 7 mil euros por noite num hotel em Nova Iorque. Factura de quatro noites de estadia: 28 mil euros. É bom recordar, já agora, que todo o orçamento da Comissão Europeia é suportado pelos contribuintes europeus. Tempos de austeridade? Só se for para os mesmos de sempre...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Leitura da semana


A revista Piauí continua a publicar alguns dos melhores textos do chamado jornalismo literário e é uma delícia descobri-los, com este saborzinho tropical, todos os meses. Foi o meu amigo (e também jornalista) Ricardo Rodrigues quem me chamou a atenção para esta fabulosa prosa (Baraquio Bama vale nota 10, na edição de Maio), comentando: «Há qualquer coisa de contraditório quando se lê uma narrativa notável sobre os que não sabem ler.»
Vale mesmo a pena, garanto-vos.
Em jeito de aperitivo, aqui fica um excerto:

"O subchefe Antônio Bonfim Ferreira, um baixinho branquelo muito musculoso, destacou a papeleta curva da impressora. “Xis... xis é peixe. Nando, vê pra mim aqui se é gurjão ou filé.” O auxiliar Nando, sem muita paciência, leu: “Prato feito de filé de peixe.”

Cozinheiro há mais de quinze anos, Antônio Bonfim enfrenta diariamente um adversário desigual: a automatização das comandas, introduzida no Garota em 2007. Até então os garçons iam à cozinha e cantavam os pedidos em alto e bom som. Hoje, digitam o código do pedido numa registradora manual do próprio salão do restaurante e o nome do prato sai escrito na impressora cinza-clara instalada na cozinha.
Para saber do que se trata, é preciso lê-lo. Mas Bonfim é analfabeto e boa parte de seus colegas só descobriu que ele não sabia ler com a chegada da novidade.
(...)
Muito antes da maquininha, Antônio Bonfim já vem tentando “abrir a mente”. No seu primeiro ano de Rio, em 1988, tentou um ano de “Mobral”,como continua a se chamar o programa federal que sucedeu a campanha de alfabetização dos militares. Sem sucesso. Foi a sobrinha quem conseguiu treiná-lo para assinar documentos. “O problema é que cada vez saía de um jeito”, disse.

Em 2004, já com 33 anos de idade, casado e com duas filhas pequenas para sustentar, soube pela esposa Lucivânia da abertura de um curso de alfabetização na Associação de Moradores de seu bairro. Ela também é analfabeta, apenas não se aflige em aprender a ler. Bonfim frequenta o curso até hoje. Treinou com afinco a padronização de sua assinatura e conseguiu renovar todos os documentos. “Inclusive o título de eleitor. Votei na Dilma duas vezes, uma seguidinha da outra. E a urna é fácil, é que nem um telefone”, contou. “Eu achei ela bonita, simpática. Mesmo quando falaram que ela era sapatona, eu nem quis saber.”
Ainda assim, em sete anos de aulas noturnas, cinco vezes por semana, não consegue distinguir a palavra “gurjão” de “filé”. “Parece que a minha cabeça está fechada. Talvez seja porque eu caí muitas vezes do jegue quando era pequeno.”

domingo, 22 de maio de 2011

#spanishrevolution


A luta continua. Pelo menos por mais uma semana. Foi essa a promessa deixada hoje pelos manifestantes acampandos na Puerta del Sol, no centro de Madrid. Durante a semana que passou, desde esse já histórico 15 de Maio (15-M), um jornalista do El País juntou-se a esta «geração à rasca» e publica hoje, no suplemento Domingo, uma grande reportagem sobre este movimento que está a sacudir o sistema:

Jon Aguirre Such abrazaba con los dientes apretados. No podía contener la emoción, la rabia acumulada, la indignación compartida. Estaba viviendo un sueño. Un sueño que se ha hecho realidad. El sueño de muchos. (...) "Casi me pongo a llorar. Veía a todo el mundo con cara de ilusión: '¡Es posible!". Jon cuenta su historia con orgullo, con pasión: "Acabamos de escribir Historia. No hay marcha atrás".

"Se ha producido una desestructuración muy acelerada de la sociedad", sostiene Miguel Martínez, sociólogo experto en movimientos sociales, profesor de la Universidad Complutense e investigador Ramón y Cajal. "La precariedad ha emanado de las élites políticas, han ido apretando las tuercas cada día más. Los gobiernos han llevado a cabo políticas muy agresivas para la mayoría de la población. El panorama es muy triste. Tenía que surgir una válvula de escape. La gente siente que su vida se volatiliza. Cuando llega la indignación, ya no pueden ir más allá, porque te hacen desaparecer como persona. Si pierdes la dignidad ya solo eres mano de obra".

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Luta na Eurovisão... e no Guardian


Os Homens da Luta já estão na Alemanha para representarem Portugal no Eurofestival da Canção e não páram de dar entrevistas para todo o mundo, depois de terem conquistado os jornalistas com uma conferência de imprensa «fora do baralho» e muito musical... O Guardian também ficou intrigado com estes músicos/comediantes e publicou um artigo da jornalista portuguesa Susana Moreira Marques, onde se explica não só o fenómeno mas se apela também ao voto nos concorrentes portugueses...

"Do you feel like leaving Europe when another Eurovision song contest is about to start? Are you feeling less than inspired by this year's British entry (...)? Well, from 10 to 14 May this year you can make a difference. Vote for Portugal at next Eurovision.
Portugal's entry, Homens da Luta, are a comic duo posing as 1970s political activists. They look like Latin American revolutionaries – complete with hats and moustaches, though less tanned – and refer to themselves as "professionals of the struggle".
(...) Their song, A Luta é Alegria, about taking to the streets and shouting with joy, is silly and ironic, and yet does seem to work: in Portugal, at least, it has become the soundtrack of people taking to the streets."

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Minuto de silêncio

O fotojornalista britânico Tim Hetherington foi ontem atingido por um morteiro em Misurata, na Líbia. O ataque  das tropas de Khadafi matou também o fotógrafo norte-americano Chris Hondros. Outros dois jornalistas ficaram gravemente feridos.
Hetherington esteve em todas as frentes de batalha mediáticas dos últimos dez anos, era colaborador regular da Vanity Fair, venceu o World Press Photo em 2007, com esta inesquecível fotografia, e assinou o filme Restrepo, sobre a guerra do Afeganistão, nomeado para Melhor Documentário na última edição dos Óscares. No Vimeo publicou, há três meses, um filme especial, intitulado Diary, que nos permite, por instantes, perceber um pouco o que era a sua vida.
Hondros estava em serviço para a Getty Images e era também um jornalista experiente em cenários de guerra. Em 2004 recebeu o Prémio Pulitzer e em 2005 ganhou a medalha de ouro Robert Capa, com o júri a elogiar a «excepcional coragem» do jornalista.

domingo, 27 de março de 2011

Fado, by New York Times

(A fadista Ana Moura, por Ruth Fremson/The New York Times)

O fado, e a magia especial da voz das fadistas, em destaque no suplemento musical do New York Times. Deixo um excerto do artigo, que pode ser lido na íntegra aqui.

IN the beginning was Amália Rodrigues. That singer so dominates the modern history of the fado, Portugal’s soulful, guitar-based national song style, that during a 60-year career brought to an end only with her death in 1999, her name became virtually synonymous with the genre, leaving precious little room for others to flourish.
But during the past decade or so there has been an explosion of new voices, most of them female, as well as the renovation of a genre that had come to seem hidebound and resistant to change. A so-called novo fado, or new fado, movement has catapulted the genre into the 21st century, opening a space for bold experiments with repertory, instrumentation and ways of singing.
Outside Portugal the fadista (as a practitioner of the genre is called) most evident of late is the 31-year-old Ana Moura, whose smoky contralto has drawn the attention of the Rolling Stones and Prince and who has just released a live CD called “Coliseu.”
At home, though, she is just one of a bumper crop that includes Mísia, Mariza, Mafalda Arnauth, Dulce Pontes, Cristina Branco, Joana Amendoeira, Raquel Tavares, Yolanda Soares and Kátia Guerreiro.

“We all have one thing in common, and that is the desire to renew the fado,” Ms. Moura, who will tour California and Canada this summer, said during an interview in New York. “This curiosity of young people for the fado is all very recent, and I think it can best be explained by this new approach to an old music that all of us have adopted.”
Fado, which means fate or destiny in Portuguese, dates to the 1820s and began, as Mariza said in a telephone interview, “as the music of a port, a place where mixtures take place, with sailors bringing influences from Brazil, Africa, the Arab world and even China” to the bars, taverns and bordellos they frequented. From the beginning the essence of the music was contained in the word saudade, which Portuguese speakers claim is untranslatable but which can be rendered as longing, yearning, nostalgia or melancholy.

terça-feira, 22 de março de 2011

Leitura da semana


Que grande, grande capa! O director de arte da Economist está de parabéns, provando que as grandes ideias são, quase sempre, ideias muito simples.
O artigo principal da edição, sobre os dias trágicos que se vivem no Japão, é igualmente bom:

"Up a shallow river, five kilometres from the Pacific coast in Japan’s north-eastern Iwate prefecture, lie the remains of a town. Crushed wooden houses now resemble matchwood, scattered in every direction over swampy wasteland. A purple car is partially submerged in mud. The piles of debris reach two metres high.
Only on close inspection do you see that it was never a town at all—at least not there. It was a rice paddy. The houses, shops, cars and people belonged lower down the valley. But the town is gone, washed away. Its debris settled on the field, high up the valley, that was the tsunami’s high-water mark. That is all that physically remains of Rikuzentakata."