Ai, ai, que saudades do Porto... a culpa, desta vez, é do New York Times, que nos leva à descoberta da cidade, no artigo 36 hours in Porto, misturando sugestões de locais recentes (como o restaurante DOP, do chefe Rui Paula, que, fiquei a saber, tem uma lista de vinhos do Douro com 60 páginas!), com outros mais tradicionais, como a incontornável Manteigaria do Bolhão, maravilhosamente descrita, desta forma: "stocks enough cured meat to feed a corporate picnic (or spark a PETA protest)"...
As fabulosas fotos são, como já vai sendo costume, do nosso João Pina.quinta-feira, 24 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
Insanidade
(Foto: Hernán Zin/El País)
Hoje, na revista do El País, uma reportagem muito interessante do jornalista Jon Sistiaga, sobre a banalização da violência. Ele retrata a insanidade da vida na Somália mas este texto poderia descrever muitos outros lugares do mundo. Infelizmente. Lugares onde, cinco minutos depois de rebentar uma bomba ao fundo da rua, há um cozinheiro que vem à porta chamar os clientes de volta para a mesa do restaurante, porque a comida está a arrefecer...
«Al aterrizar en Mogadiscio, el visitante debe rellenar un formulario. Nombre, nacionalidad, motivo de la visita y... ¡tipo de arma que lleva! Marca, calibre y número de serie. Si no traes ninguna, te miran con cara de extrañeza. Así se entra en Somalia. Un país que lleva 20 años hundido en la anarquía. Ahora sufre la peor crisis humanitaria en lo que llevamos de siglo. Hambrunas. Sequía. Balas. Casi dos millones de desplazados, dentro y fuera del país. Entramos en el territorio de los señores de la guerra en el Cuerno de África.»
sábado, 5 de novembro de 2011
King of King's
Jon Lee Anderson é um dos melhores jornalistas da actualidade, na minha modesta opinião. Nunca li nada dele que ficasse abaixo da excelência. Admiro-o há muitos anos e quando o conheci pessoalmente, no Haiti, parecia uma adolescente envergonhada... estive quase a esticar o bloco e a caneta que trazia nas mãos para lhe pedir um autógrafo. Contive-me, claro. Hoje, sem grande vontade de ler mais coisas sobre Kadafi, dei por mim a mergulhar sem retorno neste belíssimo King of King's, publicado na última edição da New Yorker:
«How does it end? The dictator dies, shrivelled and demented, in his bed; he flees the rebels in a private plane; he is caught hiding in a mountain outpost, a drainage pipe, a spider hole. He is tried. He is not tried. He is dragged, bloody and dazed, through the streets, then executed.
The humbling comes in myriad forms, but what is revealed is always the same: the technologies of paranoia, the stories of slaughter and fear, the vaults, the national economies employed as personal property, the crazy pets, the prostitutes, the golden fixtures. Instinctively, when dictators are toppled, we invade their castles and expose their vanities and luxuries—Imelda’s shoes, the Shah’s jewels. We loot and desecrate, in order to cut them finally, futilely, down to size.»
sábado, 22 de outubro de 2011
A capa da semana
If there is a poem for this moment, it is surely W.B. Yeats' dark classic "The Second Coming". Written in 1919, it evokes the darkness and uncertainty of Europe in the aftermath of a horrific war.
"Things fall apart; the centre cannot hold," Yeats writes. Mere anarchy is loosed upon the world/... The best lack all conviction, while the worst/Are full of passionate intensity."
It's hard to imagine a more eloquent description of our own bearish age. The middle class is shrinking, the markets are flailing, U.S. presidential candidates are bickering, and European policymakers are fiddling while Rome (and Athens...) burn.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Indignados no Guardian
(Foto: Jon Henley/Guardian)
O jornalista do Guardian Jon Henley está há algumas semanas a viajar por Portugal, Espanha, Itália e Grécia, ouvindo as histórias de quem mais sente na pele as consequências da crise da dívida soberana europeia. Esta semana esteve em Lisboa, à conversa com os Indignados que amanhã, sábado, voltam a sair à rua (no âmbito do protesto mundial 15 de Outubro).
(...)
They are united by a desire for change.
"We believe that the people really do have the power. People think someone else will fix this, but we have to. The people who are supposed to find solutions, our elected representatives, clearly aren't. We have to show we're not merchandise in the hands of bankers and businessmen."
(...)
"Something has to change. We are not a rich country; the minimum wage here is just €485 – even in Greece it's €600. But taxes are going up, electricity's being hiked by 30%, public transport too. People are getting desperate. There's real despair. I have many friends who are thinking of emigrating."
terça-feira, 11 de outubro de 2011
À beira de um ataque de nervos
A propósito do chumbo da Eslováquia à expansão do Fundo de Resgate Europeu, vale a pena ler este artigo do Financial Times...
«Ms Radicova said she had been contacted by Pedro Passos Coelho, the Portuguese prime minister, who told her that the deadlock in Bratislava was “giving him a heart attack” and that a renewed EFSF was key in allowing him to consolidate his country’s finances.»
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Steve Jobs at Heaven's gate
Muito se escreveu nas últimas 48h sobre Steve Jobs. Destaco, para já, dois textos.
O sempre exemplar obituário do New York Times, Apple’s Visionary Redefined Digital Age:
“He was the most passionate leader one could hope for, a motivating force without parallel,” wrote Steven Levy, author of the 1994 book “Insanely Great,” which chronicles the creation of the Mac. “Tom Sawyer could have picked up tricks from Steve Jobs.”“Toy Story,” for example, took four years to make while Pixar struggled, yet Mr. Jobs never let up on his colleagues. “‘You need a lot more than vision — you need a stubbornness, tenacity, belief and patience to stay the course,” said Edwin Catmull, a computer scientist and a co-founder of Pixar. “In Steve’s case, he pushes right to the edge, to try to make the next big step forward.”
E uma nota mais breve, na New Yorker, que lhe dedicará a capa na próxima semana, The Next Steve Jobs (And the Last One) :
«Steve Jobs was a geek: he hacked phones, built computers, and wrote code. But he was also an artist: he studied calligraphy, dated Joan Baez, and actually understood what could make a phone sexy. He was a hippie: who else drops out of Reed? But he was an authoritarian, too. He knew what you wanted better than you did, and he was going to give it to you. These yin-yang couplets explain some of his genius and success. So, of course, does his idealism. (He famously once asked a Pepsi executive whether he wanted to spend his life making sugar water.) And then there was the death sentence he lived under. Being diagnosed with pancreatic cancer in 2004 gave him a new way of looking at things. “Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life".»
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Chegámos à Madeira...
(Alberto João Jardim na 1ª página do Int. Herald Tribune, foto de João Pina)
Foi um choque para as Finanças portuguesas, e para os portugueses em geral, sim, podemos confirmar. É essa a ideia que o jornalista do International Herald Tribune passa logo no título que escolheu para a primeira página da edição hoje impressa, «Untimely schock to Portugal's finances»...
No Funchal, acompanhando a campanha eleitoral, o jornalista Raphael Minder escreve um artigo elucidativo (com fotos do «nosso» João Pina):
«(...) in the run-up to the vote Sunday, Mr. Jardim was busy presiding over several inauguration ceremonies for projects, even as criticism from Lisbon intensified. Last Wednesday, he opened a tunneled road that will provide access to a still unfinished golf course.»
Infelizmente, nada de novo para nós, portugueses. Mas que dirão os leitores do Tribune, no final de frases como esta?
«The politicians pass laws in the Parliament in the morning and then do business among themselves in the afternoon».
Bom, talvez se internacionalize a expressão «já chegámos à Madeira?»...
Ipad, o salvador?
Poderá o ipad bater o kindle e salvar o mercado livreiro? É desta pergunta que a New Yorker parte para traçar um retrato do atormentado mundo dos livros, que debate há décadas se o papel terá ou não capacidade para resistir à revolução digital. Depois do esmorecimento da discussão, com a estagnação das vendas no kindle e noutros dispositivos semelhantes (os e-books só representam cerca de 5% do volume de vendas nos EUA), agora é o ipad que surge como grande alternativa ao livro impresso - sobretudo depois do acordo entre a apple e a amazon, prometendo vender novidades e best-sellers por menos de 10 dólares. É ler para crer...
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Para que não restem dúvidas...
..."Governments don't rule the world; Goldman Sachs rules the world"..."For most traders we don't really care about having a fixed economy, having a fixed situation, our job is to make money from it. Personally, I've been dreaming of this moment for three years. I go to bed every night and I dream of another recession."
Alessio Rastani, corrector, em entrevista à BBC
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
O poder de Kristof
Já sabia que Nicholas Kristof era um jornalista especial. Mas hoje fiquei ainda mais impressionada com o poder que o seu nome tem - e como esse poder está a ser usado para combater a fome na Somália.
Kristof, distinguido com o Pulitzer pela sua cobertura dos acontecimentos em Tiananmen, actualmente já quase só escreve opinião. A sua coluna no New York Times é uma das mais influentes do mundo talvez porque ele nunca deixou de fazer o trabalho árduo do repórter, que suja os sapatos, fala com os protagonistas das histórias, pesquisa, investiga e incomoda quem for necessário para conseguir apresentar aos leitores, em menos de 800 palavras, a versão mais aproximada da verdade dos factos.
Kristof tem escrito, nos últimos dias, textos pungentes a partir da fronteira do Quénia com a Somália:
WHAT’S most heartbreaking about starving children isn’t the patches of hair that fall out, the mottled skin and painful sores, the bones poking through taut skin. No, it’s the emptiness in their faces.
These children are conscious and their eyes follow you — but lethargically, devoid of expression, without tears or screams or even frowns. A starving child shuts off emotions, directing every calorie to keep vital organs functioning.
A fome alastra no território, o mundo continua a desviar o olhar. Nada de novo? Acontece que um nova-iorquino, ao ler esta coluna do Times, decidiu estender a mão ao povo somali, partilhando um pouco do muito que tem.
Kristof anunciou a boa nova no twitter e no facebook:
«Um homem diz que igualará todos os donativos que os meus leitores fizerem para ajudar as vítimas de fome na Somália. E eu digo: vamos levá-lo à bancarrota!»
O homem chama-se Whitney Tilson e, em menos de 24 horas, já teve de desembolsar 200 mil dólares para cumprir a sua promessa. Ele mantém que irá dobrar todos os donativos particulares até 100 dólares. Por isso, se algum dos leitores do Blogkiosk quiser colaborar (!), basta escolher uma organização que tenha missões de ajuda às vítimas da fome na Somália (e pode socorrer-se desta lista do Washington Post, por exemplo), e enviar uma cópia do comprovativo desse donativo para a Leila, assistente do Sr. Tilson, usando o e-mail leilajt2@gmail.com.
Há dias em que, como vêem, o jornalismo tem efeitos práticos e imediatos. Eu adoro esses dias.
domingo, 11 de setembro de 2011
A melhor capa
A qualidade da reprodução não é a melhor, que me perdoem os puristas. Mas depois de ver hoje inúmeras capas dedicadas ao 11 de Setembro (inclusivé neste blogue), e de ler os mais variados elogios a capas nacionais que são cópias descaradas de outras já publicadas (veja-se a New Yorker de 2001, assinada por Art Spiegelman, e depois comente-se a 'criatividade' de alguns jornais portugueses, neste fim de semana), gostava de partilhar convosco esta capa: é, na minha opinião, a melhor de todas as já publicadas, nos úiltimos 10 anos, a nível mundial. Sim, a melhor. E é portuguesa.
Foi concebida pelo Henrique Cayatte, em poucas horas, para um número especial da revista Egoísta, de tributo a Nova Iorque. Os nomes dos colaboradores alinham-se em dois blocos, simulando as luzes dos arranha-céus. O meu nome está arrumado na torre da direita, o que me enche de orgulho. Foi uma emoção participar na edição deste número especial, que ganhou, entretanto, 12 prémios internacionais - inclusivé o da Society for News Design, entregue em Nova Iorque...
Parabéns à editora Patrícia Reis, com um abraço de admiração e solidariedade: há-de chegar o dia em que a Egoísta receberá um prémio em Portugal.
leituras para 11 de Setembro
The trick in the next ten years will be to win back the trust of allies (especially Pakistan), use force more sparingly, go wherever possible with the grain of Muslim sentiment instead of rubbing against it. But there can be no return to the innocence of September 10th 2001—and, sadly, no end to the vigilance.
Le choc du 11-Septembre, impossible de ne pas y revenir, dix ans après. Le recul du temps n'atténue en rien son intensité. L'effondrement des tours jumelles à New York est associé, dans l'imaginaire de tous, à une destruction radicale décidée par un ennemi invisible qui n'avait rien à négocier, qui ne souhaitait aucun échange. Quel est cet ennemi? D'où vient-il? Comment recrute-t-il? Quelles sont ses aires d'influence? Et après?
Lower Manhattan is a living symbol of civic resilience; it is evidence of how free people can triumph over fear. The neighborhood surrounding Ground Zero has become the fastest-growing in New York City. Daniel Libeskind is part of the influx. The Bronx-raised designer of the Freedom Tower was living in Berlin on 9/11: “I was determined to live in lower Manhattan. And I’m so happy because it’s really coming back to life ... It’s a kind of renaissance.”
If the story of the United States has a theme so far in the 21st century, it is surely one of resilience. To hail that spirit on the 10th anniversary of September 11, 2001, TIME revisited the people who led us, moved us and inspired us, from the morning of the attacks through the tumultuous decade that followed. These astonishing testimonies — from 40 men and women including George W. Bush, Tom Brokaw, General David Petraeus, Valerie Plame Wilson, Black Hawk helicopter pilot Tammy Duckworth, and the heroic first responders of Ground Zero — define what it means to meet adversity, and then overcome it.
Suddenly summoned to witness some thing great and horrendous, we keep fighting not to reduce it to our own smallness,” wrote John Updike ten years ago in these pages. He watched the towers fall with “the false intimacy of television,” from a tenth-floor apartment in Brooklyn Heights.
(...)
New York City is filled with children who have no reason to distinguish the eleventh from any other day in September. At some point they’ll learn, but for now, for them, what actually happened could never have happened.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
As capas da semana
Duas grandes capas na mesma semana. É obra. Uma vez mais, ideias tão simples. Mas está lá tudo, não está? Até o luto, na edição especial do 11 de Setembro, já que a TIME trocou o seu característico filete vermelho pelo cinza. Até lentidão da vitória da liberdade sobre a opressão, na capa com Kadafi. O tempo do ditador esgota-se, como areia que escoa por entre os dedos. Mas ainda não acabou.
sábado, 3 de setembro de 2011
Top secret America
Mantendo a tradição de investir em grandes trabalhos de investigação, o Washington Post publica hoje a primeira parte de um trabalho que envolveu mais de uma dezena de jornalistas durante dois anos... Esta investigação, coordenada pelos jornalistas William M. Arkin e Dana Priest (que ganhou o Pulitzer em 2006 com uma reportagem sobre as prisões secretas da CIA), surge no seguimento do projecto iniciado no ano passado, Top Secret America, que começou por questionar o brutal crescimento dos serviços secretos norte-americanos na última década.
O jornal tornou pública a contratação de 854 mil pessoas, que trabalham em programas ligados à luta contra o terrorismo ou com os serviços de inteligência, colocadas em 1271 agências governamentais e 1931 empresas privadas.
Agora, o jornal revela a existência de uma unidade secreta militar, que ganhou força após o 11 de Setembro de 2001, crescendo até aos 25 mil homens, e que terá morto centenas de suspeitos terroristas em todo o mundo:
Agora, o jornal revela a existência de uma unidade secreta militar, que ganhou força após o 11 de Setembro de 2001, crescendo até aos 25 mil homens, e que terá morto centenas de suspeitos terroristas em todo o mundo:
"Created in 1980 but reinvented in recent years, JSOC has grown from 1,800 troops prior to 9/11 to as many as 25,000, a number that fluctuates according to its mission. It has its own intelligence division, its own drones and reconnaissance planes, even its own dedicated satellites. It also has its own cyberwarriors, who, on Sept. 11, 2008, shut down every jihadist Web site they knew."
A investigação será publicada em três partes ao longo da próxima semana mas poderá ser lida na íntegra, e com outros desenvolvimentos, no livro Top Secret America: The Rise of the New American Security State, dos mesmos autores, que será lançado a 6 de Setembro.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Negócios da China... em Angola
Na Economist desta semana, um artigo muito esclarecedor sobre verdadeiros 'negócios da China' em África. Em particular, sobre os milhões (e milhões e milhões...) que se negoceiam entre essa entidade obscura que é a China International Fund e Angola, país onde, como bem lembra o jornalista da revista britânica, 90% da população de Luanda continua a viver sem água canalizada.
Angola—along with Saudi Arabia—is China’s largest oil supplier and that alone makes Mr Vicente an important man in Beijing. But he is also a partner in a syndicate founded by well-connected Cantonese entrepreneurs who, with their African partners, have taken control of one of China’s most important trade channels. Operating out of offices in Hong Kong’s Queensway, the syndicate calls itself China International Fund or China Sonangol. Over the past seven years it has signed contracts worth billions of dollars for oil, minerals and diamonds from Africa."
domingo, 14 de agosto de 2011
Grandes histórias
Nem sempre as grandes histórias, que são aquelas que têm a capacidade de nos emocionar, têm páginas e páginas ou milhares de caracteres... por vezes são contadas da forma mais simples, como fica hoje provado na revista do New York Times. É impossível não reparar nestes retratos de Charlotte Dumas a sete cães muito especiais - todos participaram nas operações de resgate do 11 de Setembro (na foto, Moxie, com 13 anos). Hoje, já 'reformados' (e com alguns 'cabelos' brancos!), estes cães posam para a fotografia com uma dignidade impressionante. As suas vidas são contadas em poucas linhas. As suficientes para que se fique com vontade de comprar o livro "Retrieved", que a fotógrafa holandesa lançará no próximo mês.
Leitura da semana
(Foto: Getty Images)
A fome alastra na Somália e o povo arrasta-se até à fronteira com o Quénia, para alcançar aquele que já é o maior campo de refugiados do mundo, com quase meio milhão de almas, ou foge em direcção à capital do seu país em ruínas, Mogadíscio. Não é fácil circular na Somália, tomada pelas milícias islamitas Al Shabab, e as organizações humanitárias e os jornalistas pouco conhecem do que está, de facto, a acontecer no interior deste pobre país, assolado pela guerra há mais de 20 anos.
O enviado especial do El País, José Calatayud, faz um relato muito esclarecedor a partir de Mogadíscio, zona que as fragilizadas tropas da União Africana tentam defender e que as milícias, para surpresa de todos, acabam de abandonar. Para voltar com mais força?
"Hasta hace unos días, el mercado de Bakara, la mayor área comercial de Mogadiscio y todo el país, era uno de los bastiones de Al Shabab. La milicia campaba a sus anchas por estas calles repletas de bares, tiendas, almacenes y empresas de telecomunicaciones, de los que extraía elevados impuestos. Aquí, uno podía comprar de todo, en un sentido casi literal. No solo comida y accesorios para el hogar, sino también equipos de artillería antiaérea nuevos por 120.000 dólares o de segunda mano por 50.000 dólares, ametralladoras por 12.000 dólares y rifles AK-47 por 300 dólares. Fue aquí donde el 3 de octubre de 1993 fue derribado el helicóptero Black Hawk estadounidense en la batalla de Mogadiscio. Ese día, las milicias somalíes mataron a 18 soldados norteamericanos en lo que supuso el inicio de la retirada de EE UU y la ONU de Somalia.
Hoy, las tropas del Gobierno patrullan Bakara por unas calles llenas de escombros en las que las fachadas agujereadas por las balas aún lucen coloridos murales que anuncian sus productos y servicios: teléfonos, hamburguesas, agencias de viajes, dentistas.
De repente, aparecen una furgoneta repleta de soldados fuertemente armados y un 4 - 4 con los cristales tintados y de su interior surge una figura militar de alto rango: Yusuf Mohamed Siad, conocido como Inda'Ade [Ojos Blancos], un general del Ejército somalí. Siad asegura que Al Shabab está más débil que nunca y que su retirada responde a tres razones: "Uno, han malinterpretado el Corán, por lo que Dios está en su contra; dos, sus líderes están divididos tras la muerte de Fazul [líder de Al Qaeda en el este de África, que murió el 11 de junio en Mogadiscio por disparos de soldados del Gobierno]; y tres, no se ponían de acuerdo en cómo repartirse el dinero"."
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Um fadista na Amazónia
(Foto: Gleison Miranda/AFP/Getty Images)
Há momentos assim, em que acabamos de ler uma história e nos apetece bater em alguém. É também para isto que o jornalismo existe (depois respira-se fundo, a indignação desfaz-se em compaixão e nasce a vontade de mudar o estado das coisas).
Hoje fiquei duplamente triste ao ler este artigo no Guardian. Primeiro, como é óbvio, porque relata a morte de índios na Amazónia, «massacrados» por traficantes de droga que decidiram criar novas rotas para o seu negócio, entre o Peru e o Brasil, invadindo terras de tribos isoladas - algumas nunca antes teriam tido contacto com o homem branco, quanto mais com as suas armas...
Depois, a tristeza aumentou quando li que um dos traficantes já presos é português: chama-se Joaquim António Custódio Fadista. É verdade. Fadista. Que pena tenho, sobretudo por me contarem tão pouco sobre ele no Guardian - e numa língua que não é a minha, nem a dele.
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