terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

de crise em crise

Depois da banca, a crise da indústria. Todos os dias chegam notícias de novas falências, despedimentos em massa, gigantes transformados em formiguinhas. O que podem (e devem) os governos fazer?
Algumas respostas na Economist desta semana.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Foi bonita a festa, pá!


A cerimónia dos Óscares foi uma das mais bem conseguidas dos últimos anos, é verdade. Embora tenha saudades de castings arriscados, como aconteceu com John Stewart, concedo que Hugh Jackman condiz mais com o cenário... Mas estranhei algumas coisas:

1. Porque não entregaram o Óscar honorário? Será que ninguém merecia? A estutueta entregue a Jerry Lewis não conta, foi justificada com o seu trabalho humanitário junto das crianças com distrofia muscular.

2. Porque que raio só nomearam três músicas para melhor canção original (e duas do mesmo autor/compositor)? Costumam ser cinco... O resto era uma merda?

3. O mesmo é válido para outras categorias, como a de melhor filme de animação... Teriam medo que Wall-E não tivesse votos suficientes?


Enfim... No day after, vale a pena ler o especial do El Pais, onde se destaca, obviamente, a vitória de Penélope Cruz, ver o artigo multimédia do New York Times sobre Slumdog Millionaire, o grande vencedor da noite (YES!), rir com as frases mais loucas da noite, escolhidas pela People, e descobrir tudo, absolutamente tudo o que se possa imaginar sobre esta noite de festa, no Envelope do Los Angeles Times.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

o momento de kate


Kate Winslet é, segundo a Time, a melhor actriz mundial do momento. O Óscar pode voltar a escapar-lhe (é a sua 6ª nomeação...) mas este «prémio» de consolação já ninguém lho tira:
At 33, Winslet has become not only the finest actress of her generation but in many ways also the perfect actress for this moment. (...) She's intense without being humorless. She's ambitious but cheerfully self-deflating, capable of glamour but also expressive of a kind of jolting common sense. She has a strong professional ethic, which she somehow balances with her domestic life. (...) And, cementing her status as an icon of the Era of New Seriousness, she really likes hard work. Assuming she's paid her taxes, are there still any openings in the Cabinet?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

por alison



Alison Des Forges (1943-2009)
«governments hesitate to call the horror by its name»

Era uma das passageiras do avião da Continental que se despenhou perto de Buffalo, EUA, na passada quinta-feira. Era uma activista pelos Direitos Humanos, trabalhava há mais de 20 anos na organização Human Rights Watch.
Foi ela que denunciou ao mundo o genocídio do Ruanda, que pediu vezes sem conta aos líderes mundiais «que chamassem o horror pelo seu nome» quando já tinham sido mortas mais de 200 mil pessoas. Viriam a morrer 500 mil antes que a sua voz fosse ouvida.
O seu livro “Leave None to Tell the Story: Genocide in Rwanda” documenta muitas dessas mortes e o seu trabalho de recolha foi crucial para a sustentação das acusações promovidas pelo Tribunal Pena Internacional. Documenta também o falhanço da comunidade internacional, incapaz de se unir - e de agir - para evitar uma tragédia de tamanhas proporções.
Alison regressava a casa, na passada quinta-feira. Voltava de mais uma série de reuniões (inconsequentes?) com os poderosos deste mundo. Estava preocupada com a situação no Congo...
A sua memória é honrada pelo New York Times e pela New Yorker, que já em 1995 destacava a importância do seu trabalho nesta reportagem: Letter from Ruanda, after the genocide.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

porque é dia dos namorados...

Há mais de um ano que nada pode ser exportado da Faixa de Gaza. Mas esta semana Israel permitiu pela primeira vez a satisfação de uma encomenda da Holanda: são cravos, senhores, para responder à procura destas flores na Europa, no dia dos namorados. Imagino a felicidade dos agricultores palestinianos - e lamento não lhes poder contar a história de uma revolução de cravos que um dia mudou o destino de um povo. Lamento não lhes poder falar de liberdade.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

World Press Photo

Esta é a fotografia vencedora do World Press Photo 2008, da autoria de Anthony Suau (para a revista Time). Retrata, na opinião do júri, a nova realidade mundial, numa época de profunda crise económica. Na sequência de uma acção de despejo, por falta de pagamento da hipoteca, um polícia entra na casa, em Cleveland, Ohio, assegurando que nenhum elemento da família permenece no seu interior.
Uma galeria com todas as fotografias premiadas pode ser vista aqui.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A «não-vida» de Saviano

Roberto Saviano, fotografado por João Carvalho Pina

Já aqui falei várias vezes de Roberto Saviano, o ex-jornalista e autor do livro-reportagem Gomorra, depois adaptado ao cinema com enorme sucesso, sobre a actuação da máfia napolitana.
Saviano tem agora uma «não-vida», como explica o jornalista Miguel Mora, do El Pais, nesta revista de domingo. Mora acompanhou o escritor, sempre escoltado por cinco seguranças, no seu regresso a Nápoles. Um texto intimista e imperdível, complementado na perfeição pelas imagens do fotógrafo português João Carvalho Pina.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

em busca da salvação

Esta é a capa da edição americana da Time desta semana (a versão europeia fala da crise económica, em geral...). Nos EUA, o debate sobre o futuro da imprensa está aceso e nós só ganharíamos em acompanhar o passo. Neste artigo, Walter Isaacson aponta as razões pelas quais o modelo económico em que se construíram as empresas jornalísticas já não é rentável e explica porque é urgente descobrir um novo modelo, sobretudo para online. Diferente do que temos hoje, claro. Será insustentável fazer jornalismo de qualidade se ninguém o pagar...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Irão, os filhos da revolução


Trinta anos depois da revolução iraniana, o El País publica hoje uma reportagem surpreendente sobre os jovens de Teerão - uma geração que sonha, sobretudo, com mais liberdade.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

video-reportagem em gaza

Foi hoje publicada na Visão a minha reportagem em Gaza. O texto pode ser lido no site, onde publiquei também dois slideshows e um pequeno vídeo:

http://aeiou.visao.pt/Actualidade/Mundo/Pages/Gaza-video-reportagem.aspx

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

never ending story

Dois homens rezam em frente às ruínas do Ministério da Justiça

Os F-16 israelitas voltaram a cruzar os céus da Faixa de Gaza, fazendo tremer a terra à sua passagem, a velocidades próximas da barreira do som. Os palestinianos dizem-me que os militares hebraicos estão a lançar «bombas supersónicas». Posso apenas garantir que o som é em tudo semelhante ao de uma gigantesca explosão e que, por breves segundos, senti o mundo a fugir-me debaixo dos pés.

Voltaram a ouvir-se tiros, em várias partes do território. Em Gaza, são claramente disparos de kalashnikov, sons metálicos, espaçados no tempo, a quem ninguém parece dar grande importância. Paro na rua para tentar perceber de onde chegam os sons e reparo que, à minha volta, ninguém abranda o passo. Entram e saem das lojas, como se nada fosse. Os tiroteios há muito que fazem parte da banda sonora das suas vidas.

Na região norte da Faixa de Gaza, junto à fronteira de Erez, volto a ouvir disparos, desta vez em rajada. Provavelmente de militares israelitas contra os militantes palestinianos, que terão lançado, segundo Telavive, mais 8 rockets contra o sul do Estado hebraico.

Na terça-feira de manhã tudo ganha uma nova dimensão, com a explosão junto do posto fronteiriço de Kissufim, a Sul. Um soldado israelita morreu e outros três ficaram feridos. Um agricultor palestiniano também morreu, segundo os médicos do hospital de Shifa, na cidade de Gaza. O Exército israelita confirma que os seus helicópteros voltaram a atacar posições de combatentes do Hamas, nesta região, e os F-16 bombardearam, já na quarta-feira, a «zona dos túneis», junto à fronteira do Egipto.

O cessar-fogo decretado pelas partes terminou no domingo passado. As conversações no Cairo, para alcançar um acordo de tréguas, continuam num impasse. E as armas parecem querer voltar a falar mais alto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

mais um dia em gaza

Na manhã de domingo, nas últimas horas do cessar-fogo provisório declarado pelo Hamas e num dia decisivo para as conversações no Cairo, com vista à consolidação das tréguas com Israel, todos os palestinianos parecem ter saído à rua.

No centro da cidade de Gaza, há polícias e militares do Hamas em cada esquina, controlando os movimentos de quem passa. Junto às mesquitas destruídas, os homens entendem tapetes e rezam ali mesmo, no sopé dos escombros. Parece haver mais carroças do que carros nas avenidas principais – a gasolina é um bem raro e custa agora cerca de €2,5 por litro – e os burros esqueléticos galopam a custo, arrastando o peso dos legumes que carregam: cenouras, tomates, couves, laranjas. Hoje é o dia mais forte do mercado e os comerciantes erguem as mãos aos céus, agradecendo o regresso dos clientes.

Mas nem todos têm o que vender. Os talhos abriram com as montras vazias, uma ou duas galinhas a enregelar de solidão, uma perna de borrego pendurada numa porta. Não é possível comer um bife nem no restaurante do melhor hotel da cidade, o Aldeira. «Desculpe, mas não há peixe nem carne… só frango.»
Vêem-se centenas de mulheres de burqa, negras da cabeça aos pés, escolhendo víveres para reabastecer a dispensa. É rara a pessoa que se avista que não tenha, pelo menos, um saco de compras na mão. Depois de 22 dias de guerra, com o comércio quase todo fechado, muitas famílias passaram fome, todas viveram grandes dificuldades.


Hoje compraram o que puderam, conhecendo como ninguém a fragilidade de um cessar-fogo nesta zona do globo. E, enquanto regateavam o preço de 5 quilos de tomate (€4) ou bebericavam um sumo de alfarroba (5 cêntimos) na esquina da principal avenida, a Omar Mukthar, espalhava-se o rumor de que as crianças tinham sido enviadas para casa mais cedo, que os bancos fecharam antes de tempo e que a população da fronteira de Rafah havia sido evacuada porque as conversações entre o Hamas e Israel estavam terminadas – sem qualquer acordo.

Afinal, as negociações prosseguem na segunda-feira e os negociadores egípcios mantêm que será possível encontrar uma solução que devolva a palestinianos e israelitas alguma paz e normalidade ao seu dia-a-dia. A ver vamos. Ou, como tanto se repete por aqui, inshallah.
(Post originalmente publicado no site da revista Visão)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Welcome to Gaza


Cheguei a Gaza na sexta-feira de manhã. Em reportagem é impossível ter tempo para ler a imprensa internacional ou para actualizar blogs... por isso, desculpem a escassez de posts. além disso, a rede aqui é inconstante, ter acesso à Internet é um verdadeiro luxo.
Tirei esta fotografia assim que entrei na cidade de Gaza, é o que resta da esquadra central de polícia. Publiquei um slideshow no site da Visão e a crónica que aqui vos deixo. Até já.

São 5 da manhã em Jerusalém e o silêncio que reina na parte oriental da cidade é quebrado pelos cânticos do muezzin, chamando os fiéis para a primeira reza do dia. O sol está prestes a nascer e a minha viagem para sul, em direcção à fronteira com Gaza, quase a começar.

O percurso de carro dura uma hora e meia e, ao longo do caminho, vários camiões carregando tanques e outro material militar seguem na direcção contrária – um bom sinal. A retirada israelita da Faixa de Gaza, concretizada no dia anterior, levou o governo hebraico a rever a sua posição em relação à entrada de jornalistas internacionais no território palestiniano e, pela primeira vez desde o início da guerra, a 27 de Dezembro, prometem abrir a fronteira de Erez a todos os repórteres que desejem viajar até Gaza.

Depois da acreditação junto do governo e assinadas duas declarações aceitando todas as consequências do que me possa acontecer, estou finalmente de passaporte na mão, numa fila com mais de 50 jornalistas. São sete e meia da manhã. Um cartaz avisa que a fronteira só está aberta até à 1h da tarde e que no sábado encerrará todo o dia. «E domingo, está aberta?», pergunta uma jornalista francesa a um militar. «Acho que sim», foi a resposta seca. O horário «normal» seria das 8 às 16h mas, neste local, a normalidade, tal como a entendemos, deixou de existir à muito. Aqui é normal, por exemplo, a fronteira ficar fechada durante semanas a fio.

Com o carimbar do meu passaporte sinto uma sensação de alívio e, simultaneamente, de apreensão. Neste momento, sei apenas que posso entrar – mas não tenho a certeza se, quando o desejar, conseguirei sair.

O edifício do posto fronteiriço de Erez alterou-se profundamente desde a minha primeira viagem a Gaza, no ano 2000. Hoje tem uma dimensão gigantesca e é muito semelhante ao de um moderno aeroporto. Depois do controlo de passaportes, sigo por um corredor até desembocar na chamada «terra de ninguém»: um túnel desmazelado, com grades e toldos esfarrapados que me deveriam guiar até posto palestiniano. Mas, no final do caminho, encontro apenas ruínas. As bombas também não pouparam estes primeiros centímetros de terra palestiniana.

Volto a guardar o passaporte no bolso – não avisto vivalma a quem o mostrar – e sigo a pé por uma estrada de terra batida. Durante dois quilómetros, vejo apenas jornalistas, que percorrem o mesmo caminho que eu, arrastando malas de viagem, câmaras de televisão, sacos com coletes à prova de bala. Até onde a vista alcança, só se vêem escombros. Todas as casas que aqui existiam foram arrasadas.

No final do caminho, uma pequena cancela marca o início da Faixa de Gaza. Uns vinte taxistas esperam sorridentes do outro lado, antevendo negócio. Pedem quantias exorbitantes pelo transporte até à cidade de Gaza, a meia hora de distância. Felizmente, já tenho Abdul à espera, contratado previamente por um quarto do preço para me guiar, toda a manhã, pela zona norte do território.
Decidimos começar por visitar Salatin, uma das localidades mais castigadas pelos bombardeamentos. Mas não percorremos mais de uma centena de metros. Num check-point com militares do Hamas, de kalashnikovs a tira colo e pistolas a saltar dos coldres, fazem-nos sinal para parar. Um deles aproxima-se e enfia a cabeça pela janela do condutor, inspeccionando o interior do carro e olhando fixamente para as nossas caras. Fala com Abdul em árabe, pedindo os passaportes e, ao pegar no meu, diz num tom curioso: «Ah… Portugal». Folheia algumas páginas, dá um passo atrás, mas volta a espreitar pela janela logo a seguir: «Trazem álcool?», pergunta, num inglês esforçado. Dizemos que não, quase em coro. Esboçando um sorriso, devolve-me os documentos e dá uma palmada no tejadilho do carro: «You can go. Welcome to Gaza».

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Parto hoje para terras longínquas... Durante os próximos dias, será normal que este blog não tenha a actualização devida. Mas, assim que puder, prometo dar notícias.
Até já...

obama presidente


Change has come to America.

Now, let's hope he can change the world...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

primeiros jornalistas internacionais em Gaza

(Foto: Ali Ali/EPA)
Com o frágil cessar-fogo de 8 dias, decretado ontem pelo Hamas, na sequência do anúncio do fim das hostilidades de Israel, no dia anterior, um pequeno grupo de jornalistas estrangeiros conseguiu, finalmente, entrar em Gaza. Aqui fica o primeiro relato de Donald Macintyre, do diário britânico Independent.

sábado, 17 de janeiro de 2009

a tragédia pessoal de um médico palestiniano

Um médico palestiniano que estudou e trabalhou em Israel passou as últimas semanas a vestir o papel de jornalista, comentando os acontecimentos em Gaza para o canal 10 israelita. Hoje, em directo, contou desesperado que a sua casa acabara de ser bombardeada, matando 3 das suas filhas, ferindo gravemente outra e vários membros da família e vizinhos. O jornalista israelita fez o que pode para ajudar e, com os seus contactos junto do exército hebraico, conseguiu que deixassem uma ambulância palestiniana levar os feridos mais graves até à fronteira e, daí, transportá-los para hospitais em Israel. O médico palestiniano também viajou com a sua filha ferida e deu uma conferência de imprensa muito emotiva, perguntando ao povo hebraico se pensam mesmo que é à custa de vida de inocentes que se constrói a paz.
As suas filhas morreram no dia em que o governo israelita se prepara para anunciar um cessar-fogo unilateral - apesar de não ter conseguido terminar com a «guerra dos rockets». Só este sábado cairam 25 foguetes do Hamas no Sul de Israel.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Um português na Casa Branca

Esta é a primeira foto oficial do Presidente Obama. O seu autor é luso-descendente, chama-se Pete Souza e já tinha trabalhado na Casa Branca nos tempos de Ronald Reagan. Souza tem 54 anos e conheceu Obama em 2004, quando este concorria para o lugar de senador. O descendente de açoreanos era fotógrafo do Chicago Tribune (que hoje dá a notícia da sua nomeação) e, nessa qualidade, acompanhou o primeiro ano de Obama no Senado e viajou com ele ao Quénia, à África do Sul e à Rússia. No Verão passado editou um livro com muitas dessas imagens, intitulado The Rise of Barack Obama, um dos «best-sellers» do ano na lista do New York Times.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ronaldo, on the top of the world

pausa informativa

Este blogue fala de jornalismo internacional mas esta «pausa informativa» não se desvia muito do tema. O Rodrigues da Silva era um homem raro e as suas crónicas seriam sempre boas em qualquer parte do mundo.
Um cancro forçou-o à reforma, em Outubro, e levou-o no sábado passado. Manuel Halpern, colega do JL, deu-nos a notícia:


Morreu o Rodrigues da Silva...
...o nosso amigo, o Zé Manel, o último editor de infantaria, o jornalista do eu, o que escrevia as breves, o da escrita gaga, o que aspirava livros, o que um dia disse a uma doutora de um instituição muito importante «não me copule», o que tinha a cagança de nunca votar no PS e queria que se soubesse, o que odiava reuniões, o que detestava «coquetéles», o que sentia falta de uma história dos jornalistas, o que proibia a palavra «evento» e dizia que «incontornável» era uma pessoa muito gorda, o que fazia um blogue de parede, o que não perdia tempo a dizer mal de um filme quando havia outros com coisas boas para se dizer, o inventor das palavras «conanas» e «lambéconas», o primeiro jornalista a entrevistar António Lobo Antunes, o maior defensor do Manoel de Olivieira, o professor que só dava vintes, o que dizia «podes escrever sobre pop desde não me obrigues a ouvir essa merda», o que fazia crónicas que falavam sobre tudo e até sobre cinema, o que considerava Portugal um país tão pequeno que não dava para a tragédia apenas para o drama, o que achava que todos os grandes jornalistas acabam esquecidos.


Nós não nos esquecemos.