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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Descoberta da semana

























Nos tempos que correm, lançar um novo projecto editorial seria, só por si, de louvar. Mas esta nova revista de viagens merece atenção por muito mais razões. Senão vejamos: Chama-se We Are Here, é trimestral, e em cada edição falará de uma cidade diferente - o primeiro número é dedicado ao Dubai, sede da empresa editora, fundada por um kuwaitiano e um irlandês.

Será, como os seus editores descrevem, um longo postal sobre alguns dos mais interessantes locais do mundo, da forma mais despretensiosa possível. Todas as fotografias são feitas com smartphones e a revista tem um design clean, sendo paginada em poucas horas, num laptop.

Os editores dizem combinar esta simplicidade com a exigência, sofisticação e qualidade dos textos, que vão desde reportagens de longo formato, num estilo narrativo, até pequenos contos, peças de humor ou poesia.
Boa viagem!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Em viagem

(Angkor, Camboja)

 Há palavras que me fazem viajar num segundo. Como estas: Alepo, Djenné, Bandiagara, Jaisalmer, Turkana... Já em miúda adorava ver mapas e girar globos, espetando o dedo ao calhas em cima de terras com nomes misteriosos. Viajar, conhecer o mundo, sempre foi um sonho. Ter um bilhete de avião marcado, ou um plano de viagem delineado, nem que seja para daqui a muitos meses, anima mesmo os meus dias - até os piores dias. Fecho os olhos e vejo-me lá, onde tudo é novo para mim.
Já abdiquei de muitas coisas para poder viajar, e já estive em vários pontos da Europa, das Américas, da Ásia e de África, mas, mesmo assim, se tivesse pins a marcar os pontos do mundo que visitei, ficaria abaixo das três dezenas. Ainda tenho, verdadeiramente, um mundo à espera de ser explorado.
O Cáceres tinha um mapa cheio de pins, afixado na parede do seu gabinete de director da Visão. Era raro o país que não estava marcado... Um dia ganhei coragem para perguntar porque não eram todos da mesma cor: os vermelhos teriam um significado diferente dos brancos? Sim, os brancos assinalavam os locais onde ainda queria ir. Ele sabia, como poucos, que o sonho já é parte da viagem.
Recordei tudo isto lendo as sugestões do suplemento Ocho Léguas, do jornal El Mundo, num especial que me deixou a olhar para o meu mapa-mundo: afinal, destes 100 lugares para ver antes de morrer, quantos já conheci? Confesso: só um... Varanasi.
A minha lista talvez fosse diferente, pensei em seguida. Vou fazê-la, anuncio-vos desde já. E arranjarei depois muitos pins brancos, para marcar os destinos que me fazem sonhar.