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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Imagens que valem mil palavras

















A história da foto que fez primeira página do Washington Post de quinta-feira, onde um jornalista passou a ser o centro da notícia. O homem que chora a morte do filho, um bebé de 11 meses, morto num raid israelita, é Jihad Mishawawi, correspondente da BBC em Gaza.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A paz, o pão, a liberdade a sério...

(As notícias pouco importam na praia de Telavive. Foto: Uriel Sinai/Time) 

No dia em que as negociações para a paz entre Israel e a Palestina foram retomadas em Washington, vale a pena ler, na Time, este artigo: «Why israelis don't care about peace». Eu acrescentaria: «E os palestinianos idem aspas». Pelo menos para esta encenação da paz que lhes propõem.

Hoje, ao ver as imagens de Netanyahu e Abbas, os seus falsos sorrisos e apertos de mão, recordei as palavras de um vendedor de legumes no mercado de Gaza, que conheci em Janeiro do ano passado, no final de mais uma guerra com Israel. O cheiro das bombas de fósforo ainda pairava no ar e ele explicou-me, encostado a uma parede forrada de cartazes em honra dos mártires mortos na guerra, porque a paz que lhes oferecem pouco lhes diz... Transcrevo essa parte da minha reportagem:

"(...) O Hamas promove empenhadamente o ideal do martírio junto da juventude. Um cd musical à venda na cidade tem, na capa, vários combatentes em acção. O título é elucidativo: Centenas de noivas à tua espera.

Os cartazes honrando os mártires encontram-se nos locais mais inesperados. Como no mercado central da cidade, decorando a banca de legumes de Mari Abu Arab, 39 anos. «Nenhum é da minha família mas são todos meus irmãos», explica, depois de contar como os israelitas destruíram as suas culturas. «O que não foi espezinhado pelos tanques acabou queimado pelas bombas de fósforo.»

Mari necessitará de 5 anos para recuperar a sua quinta. Mas para isso seria preciso abrir terreno para a paz. «E o que é paz que nos oferecem? É só pararem de despejar bombas em cima de nós? Não! Nós precisamos é das fronteiras abertas, que o cerco termine de vez [as fronteiras de Gaza estão fechadas para o povo desde 2006].»

Já nas escolas das Nações Unidas, onde se apinham 6 000 pessoas que ficaram sem casa no último mês, tinha ouvido falar com raiva da noção que o mundo tem da paz que os palestinianos precisam. Um homem queixava-se, dizendo que dormia com 78 pessoas numa sala com pouco mais de 20 metros quadrados, que não tomavam banho há três semanas e que a comida que a ONU distribuía era pouca, uma lata de atum para cada três ou quatro, deixando todos com fome. Um outro interrompeu a conversa, aos gritos, a ira a incendiar-lhe o olhar: «Não quero saber da comida, nós não somos animais que podem ser fechados num curral e a quem se atira umas sacas de farinha para apaziguar as consciências do mundo. Estou farto disto, eu quero é trabalhar para dar comida à minha família, não quero esmolas. Falam tanto de paz, nós precisamos é de liberdade!»"

domingo, 11 de outubro de 2009

Prémios Bayeux


Como sabem todos os que acompanham este blog, raramente uso este espaço para falar de mim ou do meu trabalho. Mas, sobretudo depois desta notícia na Visão, e de outras na imprensa nacional, sinto que devo abrir uma excepção para partilhar convosco a felicidade de ter sido uma das dez jornalistas seleccionadas pelo júri dos Prémios Bayeux-Calvados para Correspondentes de Guerra.

Na quinta-feira passada viajei para Bayeux, na Normandia (a primeira cidade libertada na Segunda Guerra Mundial, na sequência do Dia D) para me juntar a dezenas de jornalistas de todo o mundo - repórteres do Times, do Figaro, da BBC, do El País, os melhores nesta difícil missão de reportar o que se passa em zonas de conflito.
A «julgar» os trabalhos, durante dois dias, esteve reunido um júri de luxo, presidido pelo fotojornalista Patrick Chauvel e composto por 50 profissionais do New York Times, Independent, Nouvel Observateur, Paris Match, Le Monde, Repórteres Sem Fronteiras, CNN, Reuters...

Viajei com o coração cheio de alegria mas vazio de expectativas. Sem falsas modéstias, conheço as minhas limitações - e as limitações das condições em que trabalho. Sei que parece uma frase feita, mas já era mesmo uma vitória estar entre os nomeados: não só fui a primeira jornalista portuguesa a ser escolhida pelo júri, desde que o prémio foi instituído, como a reportagem Gaza: terra fértil para mártires, foi a única a ser seleccionada entre os trabalhos de dezenas de enviados especiais que cobriram a guerra naquele território, no início deste ano.

É por isso que, não tendo ganho, não sinto que tenha perdido.

O que perceberão ainda melhor ao ver que o prémio foi atribuído a Christina Lamb, do Sunday Times, por uma das suas reportagens no Afeganistão, região que conhece há mais de 20 anos. É uma das mais reputadas jornalistas do mundo, várias vezes premiada e eleita, por duas vezes, Correspondente Estrangeira do Ano. Aliás, foi também com uma reportagem no Afeganistão, na sequência da ocupação soviética, que recebeu, em 1988, o seu primeiro prémio, nos British Press Awards.
Deixo-vos os primeiros três parágrafos da reportagem Afghanistan: Mission Impossible, esperando que sigam o link e continuem a leitura. Ao fazê-lo, perceberão melhor porque voltei de Bayeux com o coração ainda mais cheio. Sobretudo cheio de vontade... de fazer mais e melhor.

"There is something sinister about the Chinook helicopter, like a giant, dark insect bearing down from the skies to disgorge battle-weary soldiers amid clouds of hot dust. When I think about war, whether it be ones I have reported in Iraq or Afghanistan or seen in Vietnam movies such as Apocalypse Now, the soundtrack in my head is always that of the throbbing blades coming closer and closer.
Last week I sat perched inside a Chinook flying over Helmand, trussed up in flak jacket and helmet, squashed between some Royal Marines arriving for a six-month tour. Unable to talk over the loud rotors, some had earphones attached to iPods. Others, like me, had to make do with yellow military-issue earplugs and spent the journey watching the gunner scour the parched land below through the open back.
For long distances there was nothing to see but our dark shadow skimming across the desert. On the horizon was a camel train, perhaps carrying the opium that will end up as heroin on British streets. Temperatures can exceed 50C out here, and the one mudwalled settlement we see seems to be sinking into the sands like an ancient ruin. Miles and miles from anywhere, we fly low over a man with a cloth turban wrapped round his head and a small herd of ragged brown sheep. He does not even look up. What does he think about these foreign soldiers flying back and forth, I wonder."