Mostrar mensagens com a etiqueta afeganistão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta afeganistão. Mostrar todas as mensagens

sábado, 23 de novembro de 2013

Leitura da semana


























Mais de mil refugiados morreram tentando chegar de barco a uma ilha australiana, no meio do Índico. Buscavam alcançar um pedaço de terra chamado Christmas Island e que representa o que tanta gente, no mundo subdesenvolvido, mais deseja: a possibilidade de ter trabalho, educação, liberdade, um futuro para os filhos, alguma esperança no coração. Uma vida digna, em suma.
Esta perigosa travessia marítima começa por ser terrestre - a maioria dos refugiados vem do Afeganistão e chega à Indonésia em camiões, antes de se apinhar em pequenos barcos, na costa de Java. Muito poucos conseguem chegar ao destino - e os que não se afogam pelo caminho são, quase na totalidade, deportados para o país que tanto queriam deixar para trás.
Uma arrepiante reportagem publicada no New York Times, assinada pelo jornalista Luke Mogelson e pelo fotógrafo Joel Van Houdt, que fizeram esta viagem com um grupo de refugiados, até às margens da ilha prometida.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Leitura da semana
















Imperdível, este After America, de Dexter Filkins, na New Yorker:


(...)

Nasir celebrated the American invasion in 2001, and, in the decade that followed, he prospered, and fathered six children. But now, with the United States planning its withdrawal by the end of 2014, Nasir blames the Americans for a string of catastrophic errors. “The Americans have failed to build a single sustainable institution here,” he said. “All they have done is make a small group of people very rich. And now they are getting ready to go.”
These days, Nasir said, the nineties are very much on his mind. The announced departure of American and NATO combat troops has convinced him and his friends that the civil war, suspended but never settled, is on the verge of resuming. “Everyone is preparing,” he said. “It will be bloodier and longer than before, street to street. This time, everyone has more guns, more to lose. It will be the same groups, the same commanders.” 
(...)
A few weeks ago, Nasir returned to Deh Afghanan. The Taliban were back, practically ignored by U.S. forces in the area. “The Americans have a big base there, and they never go out,” he said. “And, only four kilometres from the front gate, the Taliban control everything. You can see them carrying their weapons.” On a drive to Jalrez, a town a little farther west, Nasir was stopped at ten Taliban checkpoints. “How can you expect me to be optimistic?” he said. “Everyone is getting ready for 2014.”


Ler mais...

domingo, 24 de outubro de 2010

Notícias do João Silva

O fotógrafo João Silva sobreviveu, foi já transportado para a Alemanha mas... perdeu parte das pernas. A confirmação foi dada hoje por Carlotta Gall, a jornalista do New York Times que acompanhava o fotógrafo de origem portuguesa no Afeganistão. Segundo Carlotta, o fotojornalista continuou a fotografar mesmo depois de ter sido ferido, ao pisar uma mina.
A notícia causou grande impacto em todo o mundo. No New York Times, é Dexter Filkins, o autor do fabuloso livro Guerra Sem Fim (Prémio Pulitzer, editado entre nós pela Casa das Letras, com prefácio de Cândida Pinto), que assina a triste notícia. Nicholas Kristof, um dos mais influentes colunistas do jornal, também escreve sobre este profissional de rara sensibilidade, várias vezes premiado no World Press Photo.
João Silva vive na África do Sul, é casado e tem dois filhos, de 5 e 7 anos.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ficheiros secretos

São mais de 92 mil páginas de relatórios militares norte-americanos, classificados como secretos. Desde ontem, podem ser lidos na Internet por qualquer cidadão do mundo e, segundo o New York Times, dão-nos uma visão muito diferente da guerra no Afeganistão, sugerindo, por exemplo, a existência de «relações perigosas» entre os serviços secretos paquistaneses e os taliban. A informação foi publicada no site Wikileaks, que se dedica a expor segredos de todos os géneros, em nome do interesse público, mas foi disponibilizada a três publicações internacionais com algumas semanas de antecedência, para que pudessem estudar o material e decidir se o queriam tratar jornalisticamente: New York Times (que tem online uma página especial sobre o tema, The War Logs), Guardian ( idem, The War Logs) e Der Spiegel (ibidem, Die Afghanistan-Protokolle).
O diário americano publicou também uma nota, explicando como recebeu o material e porque decidiu analisá-lo (e publicá-lo). O Guardian publica ainda um depoimento do fundador do Wikileaks, explicando as razões desta revelação. A real dimensão das repercusões que a publicação destes documentos secretos terá no decurso da guerra ainda não são claras. Mas a Casa Branca já emitiu um comunicado condenando a fuga de informação: «Coloca em perigo a vida dos americanos e dos nossos aliados e ameaça a nossa segurança nacional».

domingo, 11 de outubro de 2009

Prémios Bayeux


Como sabem todos os que acompanham este blog, raramente uso este espaço para falar de mim ou do meu trabalho. Mas, sobretudo depois desta notícia na Visão, e de outras na imprensa nacional, sinto que devo abrir uma excepção para partilhar convosco a felicidade de ter sido uma das dez jornalistas seleccionadas pelo júri dos Prémios Bayeux-Calvados para Correspondentes de Guerra.

Na quinta-feira passada viajei para Bayeux, na Normandia (a primeira cidade libertada na Segunda Guerra Mundial, na sequência do Dia D) para me juntar a dezenas de jornalistas de todo o mundo - repórteres do Times, do Figaro, da BBC, do El País, os melhores nesta difícil missão de reportar o que se passa em zonas de conflito.
A «julgar» os trabalhos, durante dois dias, esteve reunido um júri de luxo, presidido pelo fotojornalista Patrick Chauvel e composto por 50 profissionais do New York Times, Independent, Nouvel Observateur, Paris Match, Le Monde, Repórteres Sem Fronteiras, CNN, Reuters...

Viajei com o coração cheio de alegria mas vazio de expectativas. Sem falsas modéstias, conheço as minhas limitações - e as limitações das condições em que trabalho. Sei que parece uma frase feita, mas já era mesmo uma vitória estar entre os nomeados: não só fui a primeira jornalista portuguesa a ser escolhida pelo júri, desde que o prémio foi instituído, como a reportagem Gaza: terra fértil para mártires, foi a única a ser seleccionada entre os trabalhos de dezenas de enviados especiais que cobriram a guerra naquele território, no início deste ano.

É por isso que, não tendo ganho, não sinto que tenha perdido.

O que perceberão ainda melhor ao ver que o prémio foi atribuído a Christina Lamb, do Sunday Times, por uma das suas reportagens no Afeganistão, região que conhece há mais de 20 anos. É uma das mais reputadas jornalistas do mundo, várias vezes premiada e eleita, por duas vezes, Correspondente Estrangeira do Ano. Aliás, foi também com uma reportagem no Afeganistão, na sequência da ocupação soviética, que recebeu, em 1988, o seu primeiro prémio, nos British Press Awards.
Deixo-vos os primeiros três parágrafos da reportagem Afghanistan: Mission Impossible, esperando que sigam o link e continuem a leitura. Ao fazê-lo, perceberão melhor porque voltei de Bayeux com o coração ainda mais cheio. Sobretudo cheio de vontade... de fazer mais e melhor.

"There is something sinister about the Chinook helicopter, like a giant, dark insect bearing down from the skies to disgorge battle-weary soldiers amid clouds of hot dust. When I think about war, whether it be ones I have reported in Iraq or Afghanistan or seen in Vietnam movies such as Apocalypse Now, the soundtrack in my head is always that of the throbbing blades coming closer and closer.
Last week I sat perched inside a Chinook flying over Helmand, trussed up in flak jacket and helmet, squashed between some Royal Marines arriving for a six-month tour. Unable to talk over the loud rotors, some had earphones attached to iPods. Others, like me, had to make do with yellow military-issue earplugs and spent the journey watching the gunner scour the parched land below through the open back.
For long distances there was nothing to see but our dark shadow skimming across the desert. On the horizon was a camel train, perhaps carrying the opium that will end up as heroin on British streets. Temperatures can exceed 50C out here, and the one mudwalled settlement we see seems to be sinking into the sands like an ancient ruin. Miles and miles from anywhere, we fly low over a man with a cloth turban wrapped round his head and a small herd of ragged brown sheep. He does not even look up. What does he think about these foreign soldiers flying back and forth, I wonder."