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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

TIME - Personalidade do Ano


E o vencedor é... não, não é Julian Assange e o seu Wikileaks. A Personalidade do Ano eleita pela revista TIME é Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, por ter criado uma nova forma de relacionamento social e de partiha de informações, usada por mais de 550 milhões de pessoas, mudando a forma como vivemos.
Entre os finalistas, além de Assange, estavam os mineiros do Chile, Hamid Karzai e o Tea Party. Não contesto o vencedor, indiscutivelmente um dos génios da nossa era, mas... porquê este ano? Porque não no ano passado, ou há dois anos? Fica a ideia de que a revista não quis alimentar polémicas - nem arricar-se a perder os seus leitores patriotas, que vêem Assange como inimigo da América...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A capa da semana

Mais uma capa feliz da Time, numa edição que nos oferece grandes textos para ler. Para começar, uma entrevista realizada via skype, antes da detenção de Julian Assange. Depois, vale a pena espreitar estes dois artigos, disponíveis online: WikiLeaks' War on Secrecy: Truth's Consequences e Why WikiLeaks Is Winning Its Info War. Boas leituras!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

«Não matem o mensageiro»


Julian Assange, o rosto por trás do site Wikileaks, assina um texto a publicar na edição de amanhã, dia 8, no jornal The Australian, com um título revelador: Não matem o mensageiro por revelar verdades inconvenientes. Assange pede ao público «protecção» para o Wikileaks, defendendo que «as sociedades democráticas precisam de meios de comunicação social fortes», que «mantenham os governos honestos».
E defende-se das acusações de «terrorismo informativo»:

«Every time WikiLeaks publishes the truth about abuses committed by US agencies, [there's] a chorus with the State Department: "You'll risk lives! National security! You'll endanger troops!" Then they say there is nothing of importance in what WikiLeaks publishes. It can't be both. Which is it?
It is neither.
US Secretary of Defence Robert Gates admitted in a letter to the US congress that no sensitive intelligence sources or methods had been compromised by the Afghan war logs disclosure. The Pentagon stated there was no evidence the WikiLeaks reports had led to anyone being harmed in Afghanistan. NATO in Kabul told CNN it couldn't find a single person who needed protecting.
But our publications have been far from unimportant. The US diplomatic cables reveal some startling facts:
► The US asked its diplomats to steal personal human material and information from UN officials and human rights groups, including DNA, fingerprints, iris scans, credit card numbers, internet passwords and ID photos, in violation of international treaties. Presumably Australian UN diplomats may be targeted, too.
► King Abdullah of Saudi Arabia asked the US to attack Iran.
► Officials in Jordan and Bahrain want Iran's nuclear program stopped by any means available.
► Britain's Iraq inquiry was fixed to protect "US interests".
► Sweden is a covert member of NATO and US intelligence sharing is kept from parliament.
► The US is playing hardball to get other countries to take freed detainees from Guantanamo Bay. Barack Obama agreed to meet the Slovenian President only if Slovenia took a prisoner. Our Pacific neighbour Kiribati was offered millions of dollars to accept detainees.

In its landmark ruling in the Pentagon Papers case, the US Supreme Court said "only a free and unrestrained press can effectively expose deception in government". The swirling storm around WikiLeaks today reinforces the need to defend the right of all media to reveal the truth.»

domingo, 24 de outubro de 2010

Julian Assange e o Wikileaks

(Foto: C. Valiño/El País)

Julian Assange é o homem mais falado do momento. O fundador e editor do site Wikileaks é entrevistado pelo El País e pelo New York Times, publicações que dão amplo destaque à sua mais recente revelação - desta vez, mais de 300 mil documentos secretos sobre o verdadeiro número de vítimas mortais na guerra do Iraque e o recurso a técnicas de tortura.
No sábado, Assange estava em Londres. Foi lá que deu uma conferência de imprensa e falou com os jornalistas espanhóis e norte-americanos. Hoje já estará noutro país qualquer. Como conta o Times, ele sabe que é um alvo a abater e leva muito a sério a sua segurança: está sempre em movimento, não dorme nos mesmos locais duas noites seguidas, paga todas as despesas em dinheiro, muda de aparência frequentemente e só fala através de telemóveis com sistema de encriptação (e, mesmo assim, troca de número como quem troca de camisola...).
O site tornou-se mundialmente famoso (e inimigo nº 1 do Pentágono) depois de ter revelado, em Abril deste ano, o vídeo de uma operação militar norte-americana em que vários civis desarmados são abatidos (incluindo dois jornalistas da agência Reuters). Em Julho, milhares de documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão foram tornados públicos, embaraçando as relações entre os aliados e alguns 'países amigos', como o Paquistão. Agora revelaram-se (mais) verdades inconvenientes sobre a guerra do Iraque.