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domingo, 12 de dezembro de 2010
Millenium BCP exposto no Wikileaks
A investigação é do El País e tem honras de destaque no site do jornal, neste domingo à noite: entre os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks há um em que o presidente do Millenium BCP, Carlos Santos Ferreira, propõe aos Estados Unidos fazer recolha de informações sobre o Irão a troco de poder fazer negócios naquele país... e tudo com o conhecimento do governo português. Um artigo bombástico de Francesc Relea, correspondente do diário espanhol em Lisboa, que recorda até os negócios antigos de Santos Ferreira com o Irão, nos anos 80, quando foi presidente da Fundição de Oeiras - e de como a venda de armas àquele país islâmico poderá ter estado na origem da morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A capa da semana
Mais uma capa feliz da Time, numa edição que nos oferece grandes textos para ler. Para começar, uma entrevista realizada via skype, antes da detenção de Julian Assange. Depois, vale a pena espreitar estes dois artigos, disponíveis online: WikiLeaks' War on Secrecy: Truth's Consequences e Why WikiLeaks Is Winning Its Info War. Boas leituras!
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
«Não matem o mensageiro»
Julian Assange, o rosto por trás do site Wikileaks, assina um texto a publicar na edição de amanhã, dia 8, no jornal The Australian, com um título revelador: Não matem o mensageiro por revelar verdades inconvenientes. Assange pede ao público «protecção» para o Wikileaks, defendendo que «as sociedades democráticas precisam de meios de comunicação social fortes», que «mantenham os governos honestos».
E defende-se das acusações de «terrorismo informativo»:
«Every time WikiLeaks publishes the truth about abuses committed by US agencies, [there's] a chorus with the State Department: "You'll risk lives! National security! You'll endanger troops!" Then they say there is nothing of importance in what WikiLeaks publishes. It can't be both. Which is it?
It is neither.
US Secretary of Defence Robert Gates admitted in a letter to the US congress that no sensitive intelligence sources or methods had been compromised by the Afghan war logs disclosure. The Pentagon stated there was no evidence the WikiLeaks reports had led to anyone being harmed in Afghanistan. NATO in Kabul told CNN it couldn't find a single person who needed protecting.
But our publications have been far from unimportant. The US diplomatic cables reveal some startling facts:
► The US asked its diplomats to steal personal human material and information from UN officials and human rights groups, including DNA, fingerprints, iris scans, credit card numbers, internet passwords and ID photos, in violation of international treaties. Presumably Australian UN diplomats may be targeted, too.
► The US asked its diplomats to steal personal human material and information from UN officials and human rights groups, including DNA, fingerprints, iris scans, credit card numbers, internet passwords and ID photos, in violation of international treaties. Presumably Australian UN diplomats may be targeted, too.
► King Abdullah of Saudi Arabia asked the US to attack Iran.
► Officials in Jordan and Bahrain want Iran's nuclear program stopped by any means available.
► Britain's Iraq inquiry was fixed to protect "US interests".
► Sweden is a covert member of NATO and US intelligence sharing is kept from parliament.
► The US is playing hardball to get other countries to take freed detainees from Guantanamo Bay. Barack Obama agreed to meet the Slovenian President only if Slovenia took a prisoner. Our Pacific neighbour Kiribati was offered millions of dollars to accept detainees.
In its landmark ruling in the Pentagon Papers case, the US Supreme Court said "only a free and unrestrained press can effectively expose deception in government". The swirling storm around WikiLeaks today reinforces the need to defend the right of all media to reveal the truth.»
domingo, 28 de novembro de 2010
Wikileaks, parte III
Aí estão, quentinhas, as revelações prometidas para esta semana pelo Wikileaks. O site da organização terá sido atacado mas o conteúdo dos documentos (mais de 250 mil mensagens diplomáticas do Departamento de Estado norte-americano) está a ser revelado através dos sites do Guardian, do New York Times e do El País. As revelações estão já a causar muitos embaraços, apesar de, nos últimos dias, Hillary Clinton se ter desdobrado em telefonemas para líderes de todo o mundo, tentando atenuar o impacto desta fuga de informação. Resta saber como poderá justificar, por exemplo, a ordem que terá dado aos norte-americanos na ONU para que espiassem os diplomatas de outros países, metendo o nariz nas suas contas de e-mail, analisando movimentos de cartões de crédito e até recolhendo o seu material genético...
domingo, 24 de outubro de 2010
Julian Assange e o Wikileaks
(Foto: C. Valiño/El País)
Julian Assange é o homem mais falado do momento. O fundador e editor do site Wikileaks é entrevistado pelo El País e pelo New York Times, publicações que dão amplo destaque à sua mais recente revelação - desta vez, mais de 300 mil documentos secretos sobre o verdadeiro número de vítimas mortais na guerra do Iraque e o recurso a técnicas de tortura.
No sábado, Assange estava em Londres. Foi lá que deu uma conferência de imprensa e falou com os jornalistas espanhóis e norte-americanos. Hoje já estará noutro país qualquer. Como conta o Times, ele sabe que é um alvo a abater e leva muito a sério a sua segurança: está sempre em movimento, não dorme nos mesmos locais duas noites seguidas, paga todas as despesas em dinheiro, muda de aparência frequentemente e só fala através de telemóveis com sistema de encriptação (e, mesmo assim, troca de número como quem troca de camisola...).
O site tornou-se mundialmente famoso (e inimigo nº 1 do Pentágono) depois de ter revelado, em Abril deste ano, o vídeo de uma operação militar norte-americana em que vários civis desarmados são abatidos (incluindo dois jornalistas da agência Reuters). Em Julho, milhares de documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão foram tornados públicos, embaraçando as relações entre os aliados e alguns 'países amigos', como o Paquistão. Agora revelaram-se (mais) verdades inconvenientes sobre a guerra do Iraque.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Ficheiros secretos
São mais de 92 mil páginas de relatórios militares norte-americanos, classificados como secretos. Desde ontem, podem ser lidos na Internet por qualquer cidadão do mundo e, segundo o New York Times, dão-nos uma visão muito diferente da guerra no Afeganistão, sugerindo, por exemplo, a existência de «relações perigosas» entre os serviços secretos paquistaneses e os taliban. A informação foi publicada no site Wikileaks, que se dedica a expor segredos de todos os géneros, em nome do interesse público, mas foi disponibilizada a três publicações internacionais com algumas semanas de antecedência, para que pudessem estudar o material e decidir se o queriam tratar jornalisticamente: New York Times (que tem online uma página especial sobre o tema, The War Logs), Guardian ( idem, The War Logs) e Der Spiegel (ibidem, Die Afghanistan-Protokolle).
O diário americano publicou também uma nota, explicando como recebeu o material e porque decidiu analisá-lo (e publicá-lo). O Guardian publica ainda um depoimento do fundador do Wikileaks, explicando as razões desta revelação. A real dimensão das repercusões que a publicação destes documentos secretos terá no decurso da guerra ainda não são claras. Mas a Casa Branca já emitiu um comunicado condenando a fuga de informação: «Coloca em perigo a vida dos americanos e dos nossos aliados e ameaça a nossa segurança nacional».
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