sábado, 25 de julho de 2009

Minérios de Sangue

(Foto: Spencer Platt/Getty)

Telemóvel em modo vibratório. Sou uma utilizadora frequente. Mas só agora, lendo este artigo da Time, percebi que essa função só é possível graças ao uso de volframite e ouro - minerais que existem em abundância no Congo e são, desde há alguns anos, fonte de financiamento dos grupos armados para o perpetuar da guerra, que já matou mais de 5 milhões de pessoas.

A Global Witness explica, no seu mais recente relatório, que é virtualmente impossível os consumidores conhecerem a origem dos minerais utilizados pela indústria dos telemóveis (além da volframite e do ouro, também a niobite e cassiterite são fundamentais). A organização advoga a criação de um sistema que permita oferecer a garantia de que não estão «manchados de sangue», à semelhança do que foi criado para o mercado dos diamantes.

1 comentário:

Tramagalense disse...

Infelizmente, este é o mundo em que vivemos. No Ocidente a grande maioria da população não quer ouvir falar destas coisas, da miséria que o seu consumo causa, a outros seres humanos.
Mas neste caso, não é só humano, é também ecológico. Estes exercitos de escravos anónimos precisam de alimentos e de madeira para cozinhar e ambos vêem das florestas pristinas onde estes metais se encontram. Os primatas são os animais que mais sofrem e o numero de gorilas tem vindo a diminuir a olhos vistos.
Lembro-me de em 2001, ver um documentário acerca deste problema e de a Nokia, na altura, estar a desenvolver esforços para adquirir Coltão apartir de explorações legais. Não sei se cumpriu, se não, mas atendendo à raridade deste metal, essêncial ao funcionamento dos telemóveis e tendo em conta as exigências do mercado, duvido que isso aconteça de forma regular. Em termos gerais, o maior problema parece estar no facto de o Coltão ser mais abundante no Congo, do que em qualquer outra parte do mundo e hoje em dia já não se sabe se o metal alimenta a guerra, se a guerra é por causa do metal ou se o ciclo inclui ambos os casos e para o qual não haverá um fim à vista.