sexta-feira, 6 de março de 2009

leitura da semana

«Radical Islam is a fact of life. How to deal with it.»


A Newsweek dedica a capa desta semana ao «Islão Radical», destacando mais um texto interessante de Fareed Zakaria - uma sumidade na cobertura destes temas, apesar de, na minha opinião, ser uma pena ele sentir sempre tanta necessidade de afirmar o seu patriotismo e fidelidade à América...
Mas se aqui o destaco é porque este artigo vale mesmo a pena, acreditem. É daqueles que deixará marcas, como o seu Why do They Hate Us?, de 2001. É uma análise rigorosa do actual (re)posicionamento dos EUA em relação aos países do mundo islâmico e passa uma mensagem fundamental que, espera-se, possa chegar de vez à opinião pública americana (e ocidental, em geral): a de que já é tempo de acabar com esta coisa de tratarmos todos os islâmicos como terroristas.
Sobre os movimentos radicais, do Paquistão ao Afeganistão, da Indonésia à Nigéria, das células activas na Europa ao domínio do Norte de África, Zakaria fala de tudos. E levanta questões fundamentais sobre a estratégia de combate aos fundamentalistas, seguida pelos EUA (e Europa) nos últimos anos:
«We have placed ourselves in armed opposition to Muslim fundamentalists stretching from North Africa to Indonesia, which has made this whole enterprise feel very much like a clash of civilizations, and a violent one at that. Certainly, many local despots would prefer to enlist the American armed forces to defeat their enemies, some of whom may be jihadists but others may not. Across the entire North African region, the United States and other Western powers are supporting secular autocrats who claim to be battling Islamist opposition forces. In return, those rulers have done little to advance genuine reform, state building or political openness. In Algeria, after the Islamists won an election in 1992, the military staged a coup, the Islamists were banned and a long civil war ensued in which 200,000 people died. The opposition has since become more militant, and where once it had no global interests, some elements are now aligned with Al Qaeda
Como é possível cometerem-se os mesmos erros, uma e outra vez?
Um texto para ler e reler. Até compreender.

1 comentário:

Tramagalense disse...

Num recente documentario que vi no Channel4, foi abordado o tema da crescente insatisfacao que se vive nos diversos sectores na sociedade islamica. De um lado, estao aqueles que promovem uma aproximacao moderada e baseada num dialogo que envolva o entendimento, nao so' dentro da sua propria sociedade, como tambem nas relacoes exteriores. Do outro esta', uma juventude com poucas aspiracoes, sem educacao, sem emprego, que se junta em grupos nas ruas das cidades com pouco ou nada que fazer, para alem de ouvir os discursos radicais, de elementos, por vezes ligados ao Clero, que influenciam a maneira como veem o Ocidente e em especial, os EUA e o RU. Os discursos inflamados destes extremistas, que manipulam facilmente as mentes jovens, estao baseadas na ideia de que as Cruzadas, estao de volta. Os exemplos que estes radicais apontam, sao a repressao esmagadora da Russia , na Tchetchenia, o caso Israel-Palestiniano, a intervencao americana no Iraque, no Afeganistao, os seus constantes ataques em territorio paquistanes, que na semana passada vitimaram mais 7 pessoas inocentes, a repressao tailandesa do grupo separatista islamico no sul do pais e o problema de Kashmira, entre outras razoes.
No caso do Iraque, os EUA, basearam-se em mentiras para controlar as riquezas do pais, causando avultada destruicao, matando milhares de pessoas e arredando do poder a minoria Sunita, provocando de imediato uma luta sectaria entre a populacao iraquiana. No Norte do pais, na zona Kurda, os Judeus kurdos, apoiados por Israel, estao a comprar terrenos a familias locais pobres e a tomar conta de sectores vitais da economia da regiao. Nao e' preciso ser especialista, para perceber que a minoria Sunita do Norte do Iraque vera' isto como uma interferencia sionista dentro do seu territorio.
No Afeganistao, a America, na sua sede de vinganca pelos ataques de 11 de Setembro, provocou mais destruicao e muitas mais mortes do que aquelas dos atentados de Nova York e restantes. Resumindo, quem pagou o preco destes ataques, foi a indefesa populacao tribal do Afeganistao. Neste pais a Nato, nao esta' de modo nenhum a vencer a guerra, muito pelo contrario e o modo mais facil de manter alguma paz, em determinadas zonas do pais, e' com o pagamento de avultadas somas aos chefes tribais e senhores da guerra locais, por forma a conseguir a sua colaboracao. Muitas vezes vejo na TV, os soldados ocidentais a atravessar campos de papoilas ( Opio ), na provincia de Helmand, sem nada fazer para destruir essas culturas, que alegadamente sao o financiamento das milicias Taliba e o grosso da heroina vendida nas sociedades ocidentais e nao so'.
E claro, a Palestina. Ainda esta semana Hillary Clinton criticou publicamente o governo israelita, pela destruicao de 70 casas pertencentes a palestinianos em Jerusalem Este. Tambem esta semana, um homem atacou um carro da policia e um autocarro, provocando 3 feridos, tendo sido ele proprio morto a tiro. Nao teria este ataque sido o resultado, de quem por desespero, ve a sua casa destruida ou a de um familiar?- A mim da-me a entender isso.
Na Cisjordania, os colonatos, ilegais 'a luz da lei internacional, cada vez sao maiores e cada vez sao mais os judeus de origem russa, que nem sequer falam hebraico e nao teem qualquer afinidade com os restantes israelitas, para alem da componente religiosa, a tomarem de assalto as terras dos palestinianos, que sao mantidos num sufoco, para o qual a comunidade internacional demonstra a sua clara impotencia, em obrigar Israel a cumprir as muitas resolucoes da ONU.
Por estas e outras razoes, existe no mundo islamico a crenca, de que mil anos depois as Cruzadas estao de volta e por isso os muculmanos desconfiam das palavras dos dirigentes politicos ocidentais, tornando a juventude num alvo facil do radicalismo e fanatismo islamicos.
Esperemos que Obama e Clinton, tragam uma aproximacao mais conciliadora e que promova um entendimento, para o desejado caminho da PAZ.

HORTA